Uma fraude atrasou o registro da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República ontem. A equipe do senador notou que ele aparecia filiado ao Missão, não ao Partido Liberal (PL), na certidão emitida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O presidente da Corte, ministro Kassio Nunes Marques, determinou ainda ontem o restabelecimento da filiação de Flávio ao PL e a exclusão do vínculo com o Missão. A filiação fraudulenta havia impedido o registro da candidatura do senador. Dados da Justiça Eleitoral consultados pelo Estadão mostraram a falsa desfiliação de Flávio do PL na quarta-feira. Nunes Marques determinou a preservação dos "registros de log e de acesso" ao sistema de filiação partidária e o envio do processo e dos documentos à Polícia Federal (PF) para a abertura de investigação destinada a apurar a "autoria, as circunstâncias e o contexto" da filiação fraudulenta. Nunes Marques enviou representação à Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) para adoção de providências. ‘USO INDEVIDO’ O TSE divulgou nota negando que o sistema da Corte tenha sido alvo de ataque um hacker. "O Tribunal Superior Eleitoral informa que a filiação de Flávio Bolsonaro ao partido Missão não foi fruto de hackeamento do sistema de filiação partidária, mas sim de uso indevido da ferramenta por parte de alguém que possuía as credencias da legenda para efetivar filiações", informou a Corte Nunes Marques indicou que uma pessoa com credenciamento do Missão teria feito a operação de filiação do senador do PL. Em nota, o Missão afirmou que foi "vítima de uma tentativa de filiação fraudulenta". "Nosso sistema, ao notar a fraude, tentou realizar no mesmo dia o cancelamento da filiação, ação que foi rejeitada pelo (sistema do) TSE", disse o partido. "O gabinete de Flávio foi informado dessa tentativa de filiação desde o dia 2 deste mês. Consta em nosso sistema que os e-mails enviados foram abertos, mas não foram respondidos", declarou a sigla, afirmando que estava "adotando todas as providências cabíveis junto à Polícia Federal e ao TSE, a fim de que os responsáveis pelo crime e pela fraude sejam identificados e exemplarmente punidos". "Um relatório com todos os logs, e-mails e IPs será disponibilizado para a imprensa e autoridades."