[[legacy_image_4899]] A decisão do presidente Jair Bolsonaro de, em uma semana, acabar com radares móveis em rodovias federais tem preocupado e dividido especialistas. O mesmo com a população: uns celebram a possível redução de multas, outros anteveem mais mortes. Em um evento oficial em Pelotas (RS), na segunda-feira (12), Bolsonaro disse que bastaria uma ordem à Polícia Rodoviária Federal para não usar os aparelhos. “Não são apenas palavras. Estou com uma briga, juntamente com o Tarcísio [Gomes de Freitas, ministro da Infraestrutura] na Justiça. Essa máfia de multa que vai para o bolso de uns poucos é uma roubalheira”, afirmou. Sociólogo e consultor em Segurança no Trânsito, Eduardo Biavati crê que, além de induzir pessoas ao erro, o presidente toma uma medida desumana. “Sugiro que a Procuradoria-Geral da República interfira. Não é só uma medida sem fundamento técnico. É anti-humanitária. O Brasil é o quarto no mundo que mais mata no trânsito, e 40% das mortes são em rodovias. Não tem mágica: no trânsito, a velocidade é a mãe da violência”, diz. Segundo o especialista, o erro de informação ocorre em relacionar a “indústria das multas” aos radares em rodovias federais. “É lei. O dinheiro das multas vai para o Departamento Nacional de Trânsito [Denatran], via Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito [Funset]. Sabe-se que só 20% disso tem sido usado em educação no trânsito. O resto, a União toma. Mas o problema não são os radares”. Para a consultora em Trânsito e Transporte e diretora do Instituto de Mobilidade e Educação Plano (Imep), Maria da Penha Nobre, seria melhor corrigir problemas. “Em via bem projetada e com sinalização correta, as pessoas obedecem com muito mais frequência. No meu ponto de vista, o que precisa é rever a sinalização e reciclar engenheiros de projetos”, diz ela, para quem é possível ter segurança com só radares fixos. “Porque os [radares] móveis usados de forma errada viram pegadinha. Quando há redução de velocidade em área de muito acidente, logo depois deveria se retomar à velocidade inicial. Em muitos casos, isso não ocorre, e os radares móveis multam”.