O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) é considerado foragido pela Polícia Civil após não ser localizado para o cumprimento de um mandado de prisão na manhã desta quinta-feira (17). Ele é um dos alvos da Operação Vectura Corrupta, que investiga a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo e no poder público paulistano. A operação é realizada pela Polícia Civil em conjunto com o Ministério Público de São Paulo (MPSP). Ao todo, foram expedidos 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão. Os policiais estiveram na residência de Milton Leite, mas não encontraram o ex-parlamentar. A ação desta quinta-feira corresponde a uma nova fase das investigações sobre a suposta atuação do PCC no setor de ônibus da capital. Segundo as apurações, 12 empresas de transporte coletivo são investigadas por suspeitas relacionadas ao controle financeiro e operacional da organização criminosa e a possíveis fraudes em licitações. Entre os outros alvos estão Levi de Oliveira, ex-presidente da SPTrans, e Camilo Morgado (PL), candidato a deputado. Ambos foram presos nesta quinta-feira, segundo informações divulgadas pelo UOL. Investigação sobre empresas de ônibus As investigações buscam esclarecer de que maneira integrantes e pessoas supostamente ligadas ao PCC teriam conseguido exercer influência sobre empresas responsáveis pelo transporte público e estabelecer relações com agentes públicos. Milton Leite também já havia sido citado em investigação da Corregedoria da Polícia Militar sobre policiais que teriam prestado proteção a dirigentes da Transwolff, empresa de ônibus investigada por suspeita de ligação com integrantes da facção. O ex-vereador nega envolvimento com o crime organizado e com irregularidades envolvendo a companhia. Segundo a Folha de S.Paulo, a investigação também apura indícios de atuação da organização criminosa no financiamento de campanhas eleitorais e possíveis tentativas de ampliar sua influência no poder público. Milton Leite foi vereador da capital paulista por sete mandatos, entre 1997 e 2024, e presidiu a Câmara Municipal. Atualmente, não exerce mandato eletivo. Até a publicação desta reportagem, não havia informação sobre o cumprimento do mandado de prisão contra o ex-vereador. O espaço permanece aberto para manifestação da defesa.