Redação de jornal pode contar muito com a ajuda da IA, já técnica de enfermagem não tem como utilizar a tecnologia (Vanessa Rodrigues / AT / Adalberto Marques / AT) Uma pesquisa conduzida pela Microsoft Research analisou como a inteligência artificial generativa, como o ChatGPT e o Copilot, está transformando o mercado de trabalho global. O estudo listou as 40 ocupações mais e as 40 menos afetadas pela automação por IA, com base em mais de 200 mil interações reais com ferramentas de IA. A conclusão? Profissões ligadas à comunicação e ao raciocínio lógico estão mais em risco, enquanto atividades manuais e com forte presença física permanecem protegidas — ao menos por enquanto. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! IA no mercado de trabalho: uma virada em curso A inteligência artificial generativa — sistemas que criam textos, imagens, códigos e até decisões a partir de comandos — já não é mais uma promessa distante. Ela está sendo aplicada em empresas de todos os portes e setores, otimizando tarefas e substituindo processos inteiros. Mas o impacto não é igual para todas as profissões. Segundo o estudo da Microsoft, divulgado em julho de 2025, o grau de "aplicabilidade da IA" em uma profissão depende de quão rotineiras, previsíveis e cognitivas são as tarefas envolvidas. As 40 profissões mais ameaçadas pela IA As carreiras mais afetadas estão diretamente ligadas à produção de conteúdo, atendimento ao cliente e análise de dados — campos onde a IA já demonstra capacidade de gerar resultados com alta precisão e velocidade. Veja alguns exemplos: Profissão - Nível de exposição à IA Intérprete e tradutor - Muito alto Redator e jornalista - Muito alto Historiador - Alto Representante de vendas - Alto Analista de marketing - Alto Suporte técnico ao cliente - Alto Programador web e desenvolvedor - Alto Economista - Alto Analista de crédito - Alto Comissário de bordo Médio - alto A lista completa também inclui bibliotecários, contadores, revisores de texto, analistas de RH, professores universitários e operadores de dados. As 40 profissões menos afetadas pela IA Já entre as menos suscetíveis estão aquelas que envolvem atividades físicas, cuidados diretos com pessoas e manuseio de equipamentos em ambientes reais. Elas dependem da presença humana, da empatia e da habilidade motora — áreas em que a IA ainda está muito distante de competir. Profissão - Nível de exposição à IA Auxiliar de enfermagem - Baixo Operador de empilhadeira - Baixo Faxineiro - Baixo Lavador de pratos - Baixo Massoterapeuta - Baixo Técnico em oftalmologia - Baixo Assistente cirúrgico - Baixo Trabalhador da construção civil - Baixo Repositor de supermercado - Baixo Motorista de caminhão - Baixo Essas funções envolvem interação social, força física, improviso e sensibilidade — o que ainda representa uma barreira para a automação completa. O que explica essa diferença? A IA funciona melhor em tarefas estruturadas, com lógica, regras e linguagem formal — o que faz dela uma excelente substituta em atividades como atendimento via chat, produção de relatórios, criação de conteúdo ou desenvolvimento de sistemas. Por outro lado, tarefas que exigem empatia, cuidado, tato humano, trabalho braçal ou decisões diante do imprevisível continuam sendo exclusivas de pessoas. E o Brasil? Cenário pede atenção O impacto da IA no mercado brasileiro será gradual, mas inevitável. Segundo um relatório do Fórum Econômico Mundial de 2024, o Brasil pode ter até 18% das ocupações atuais afetadas por automação inteligente nos próximos cinco anos — especialmente nas áreas administrativas e de comunicação. Ao mesmo tempo, funções relacionadas a saúde, educação básica, serviços gerais e logística tendem a crescer. O país possui, segundo o Ministério da Saúde e o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 2,7 milhões de profissionais de enfermagem — entre enfermeiros, técnicos e auxiliares — que desempenham funções ainda pouco afetadas pela IA. Como se preparar para o novo cenário Desenvolva habilidades complementares à IA: pensamento crítico, empatia, negociação, criatividade. Aprenda a usar IA como ferramenta: saber lidar com sistemas como ChatGPT, Copilot, Gemini ou Claude pode ser um diferencial. Atualize-se constantemente: o que não muda é a necessidade de aprender — mesmo em profissões pouco impactadas. Tendências para os próximos anos Criação de novas ocupações híbridas (ex.: analistas humanos de IA, curadores de conteúdo gerado por máquina). Valorização de profissões com contato humano direto, como enfermagem, educação infantil e cuidados com idosos. Automação parcial em áreas como marketing, redação e programação — com o humano supervisionando a IA. Requalificação de trabalhadores para setores onde a presença física ou julgamento humano são insubstituíveis.