Espécie sofreu exploração intensa desde o período colonial e estava praticamente extinta (Reprodução) A surpreendente redescoberta do pau‑cravo (Dicypellium caryophyllaceum), espécie amazônica considerada praticamente extinta por mais de quatro décadas, reacende debates sobre preservação ambiental e reconexão com o patrimônio natural brasileiro. Identificada recentemente em áreas da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, a árvore agora floresce graças a ações de conservação lideradas por instituições oficiais. A espécie, nativa da floresta amazônica nos estados do Pará e Maranhão, sofreu exploração intensa desde o período colonial, sendo usada como substituto do cravo‑da‑índia e para extração de madeira aromática e óleo essencial. Estudos apontam que sua população natural declinou em mais de 80 %, restando apenas duas subpopulações conhecidas no século XXI, com aproximadamente 189 árvores em Juruti, no Pará. Histórico de quase extinção e redescoberta Especialistas acreditavam que a espécie estaria desaparecida da Amazônia há mais de 40 anos. Em 2008, durante estudos de impacto ambiental para a construção da hidrelétrica Belo Monte, foi registrada a maior população já documentada desde o século XVIII, com árvores em Juruti e Vitória do Xingu. A partir dessa localização, a concessionária Norte Energia e pesquisadores do Museu Paraense Emílio Goeldi coordenaram um programa de conservação genética que identificou 30 árvores‑matrizes e produziu mais de 150 mudas em viveiro, com plantios controlados em Áreas de Preservação Permanente. Impacto ecológico e potencial científico O pau‑cravo possui madeira e óleo rico em eugenol, substância com propriedades antimicrobianas e terapêuticas. Sua importância histórica e ecológica o transforma em foco estratégico para pesquisa científica e restauração florestal.