A morte da empresária Bianca Naufel Saliba, de 43 anos, após a realização de três cirurgias estéticas em São Paulo, reacendeu o alerta sobre os riscos e os limites de segurança desses procedimentos. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Bianca passou por uma lipoescultura, abdominoplastia e mastopexia em um hospital na Vila Mariana, na zona sul da capital paulista. Os procedimentos foram realizados no mesmo tempo cirúrgico e duraram cerca de 10 horas. Segundo informações do boletim de ocorrência, após acordar da cirurgia, a empresária apresentou um quadro súbito, com engasgo intenso e falta de ar cerca de 50 minutos depois. Houve uma nova intervenção cirúrgica, com duração de aproximadamente 1h40, incluindo intubação e tentativas de reanimação, mas ela não resistiu. O caso é investigado como morte suspeita pela Polícia Civil. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que o 16º Distrito Policial aguarda os laudos do Instituto Médico-Legal para esclarecer a causa da morte. De acordo com o hospital, o cirurgião responsável era credenciado há cerca de oito anos e não possuía registros anteriores de complicações. A empresária deixa marido e três filhos. Segundo o companheiro, ela passou meses pesquisando profissionais antes de decidir pela cirurgia. Procedimentos combinados exigem atenção Casos como o de Bianca levantam questionamentos sobre a realização de múltiplos procedimentos em uma única cirurgia, prática relativamente comum na área estética, mas que exige avaliação criteriosa. De acordo com o cirurgião plástico Fernando Amato, a lipoaspiração, um dos procedimentos realizados pela empresária, não tem como objetivo o emagrecimento. “A lipoaspiração é indicada para reduzir gordura localizada e modelar o contorno corporal. Não é um procedimento para perda de peso”, explica. Ele destaca que a escolha de um profissional qualificado e vinculado à Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica é um dos principais fatores de segurança. Limites do corpo devem ser respeitados Segundo o especialista, há limites bem definidos para a quantidade de gordura que pode ser retirada durante uma lipoaspiração. A recomendação do Conselho Federal de Medicina é de que a retirada não ultrapasse 7% do peso corporal em procedimentos com técnica úmida e 5% em cirurgias sem infiltração de solução. “Se a lipoaspiração for muito volumosa, a perda sanguínea também pode ser maior, o que aumenta os riscos”, alerta. Em um exemplo prático, uma pessoa com 70 quilos poderia retirar, no máximo, cerca de 4,9 litros de gordura dentro dos parâmetros considerados seguros. Transparência e preparo são fundamentais Outro ponto essencial, segundo o médico, é a transparência do paciente no pré-operatório. Informações sobre doenças, uso de medicamentos ou outras substâncias devem ser compartilhadas com a equipe médica. Esses dados são fundamentais para reduzir riscos e garantir um planejamento adequado da cirurgia e da recuperação. Além disso, o especialista reforça que procedimentos devem ser realizados em ambiente hospitalar, com estrutura adequada para lidar com possíveis complicações. Investigação em andamento Enquanto a causa da morte de Bianca ainda é apurada, o caso reforça a importância de cuidados rigorosos antes de qualquer procedimento estético. Embora cirurgias plásticas sejam cada vez mais comuns, especialistas alertam que elas não são isentas de riscos — especialmente quando envolvem múltiplas intervenções realizadas no mesmo tempo cirúrgico. O resultado dos exames periciais deve apontar o que levou à morte da empresária e se houve algum fator determinante relacionado aos procedimentos realizados.