A busca por novos caminhos não cessa com o passar do tempo — pelo contrário. Empreender tem se tornado uma realidade cada vez mais consolidada para uma parcela considerável de quem decide montar o próprio negócio: as mulheres 50+. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com dados do Sebrae, apresentados no Delas Summit 2025, 2,7 milhões de mulheres com mais de 55 anos são donas de negócios no País. E esse momento de virada de chave é acompanhado de desafios, anseios e muito aprendizado. É o que afirma a consultora de negócios do Sebrae-SP, Bianca Marsaioli. “Temos uma porta de entrada para quem quer empreender, independentemente da idade. O acolhimento começa pelo entendimento de quem é aquela mulher, do que ela sabe fazer, qual é sua experiência e o que deseja construir”, afirma. Ela conta que algumas mulheres chegam ao Sebrae em um estágio ainda embrionário, enquanto outras já trazem um negócio mais estruturado. No caso das mulheres 50+, elas carregam um elemento importantíssimo: a vivência. “Essa experiência de vida vem da trajetória pessoal, seja de quem está se aposentando após anos de trabalho no regime CLT, seja de quem resolveu empreender por algum contexto muito pessoal”, acrescenta Bianca. Oportunidade A consultora de negócios do Sebrae-SP aponta que muitas mulheres empreendem em atividades ligadas às habilidades desenvolvidas no ambiente doméstico, como a organização de espaços, atuando, por exemplo, como personal organizer. “Elas sempre foram elogiadas por serem organizadas e por saberem planejar a rotina. Então, passam a enxergar isso como uma oportunidade de gerar renda nessa fase da vida”, explica. Há outras áreas com bastante procura, como organização de ambientes, beleza, estética, gastronomia e alimentação — em alguns casos, aproveitando o talento para cozinhar, principalmente entre mulheres que se dedicavam aos cuidados da casa. Moda, saúde, bem-estar e turismo também estão entre os segmentos que atraem as empreendedoras mais experientes. Mudança de visão Bianca avalia que outro fator que contribui para essa “virada de chave” é a mudança na forma como a sociedade enxerga a maturidade, especialmente nas últimas décadas. “Elas são vistas de maneira muito diferente do que no passado. Antes, essa fase da vida era entendida como o momento de se aposentar e ficar em casa. Hoje, as pessoas estão muito mais ativas em todos os aspectos, tanto fisicamente quanto na busca por longevidade e qualidade de vida”, destaca. A ajuda mútua entre mulheres que compartilham o mesmo momento de vida é outro fator que favorece o sucesso dos empreendimentos. “A experiência pessoal dessas mulheres também se reflete na gestão dos negócios. Quando falamos de acesso ao crédito, os homens apresentam índices de inadimplência maiores do que as mulheres. Elas costumam cumprir melhor suas obrigações com as instituições financeiras”, finaliza. Paixão virou carreira Tânia Atz, de 62 anos, é química de formação e trabalhou durante 35 anos em um laboratório de uma refinaria, em regime de turno – algo raro para uma mulher naquele período. Após se aposentar, em 2020, transformou seu hobby de viajar em uma oportunidade de negócio. Assim nasceu a De Carona com Tânia, empresa especializada em roteiros personalizados e expedições. “Minha história profissional também faz parte da história da empresa. Depois de 35 anos, decidi transformar minha paixão por viagens em uma nova carreira. A empresa nasceu dessa transição e hoje é um negócio construído com propósito, experiência e muita paixão por viajar”, afirma. Segundo ela, ao longo da trajetória, já atendeu mais de 100 clientes, criando desde roteiros personalizados até experiências exclusivas e viagens em grupo. Um dos projetos que melhor representa esse trabalho é a Expedição Tailândia, realizada durante o Festival das Lanternas, entre 21 de novembro e 2 de dezembro. “É uma experiência cuidadosamente planejada para um grupo pequeno, com uma curadoria especial de destinos”, explica Tânia. Mudança Segundo ela, uma de suas maiores preocupações foi começar do zero em um mercado completamente diferente. “No início, tive muito medo de não conseguir clientes, de não ser reconhecida como profissional e de investir tempo e dinheiro sem obter retorno. Também me preocupava a responsabilidade de cuidar dos sonhos das pessoas”, relata. O apoio da família foi decisivo para fortalecer sua confiança no novo projeto. “Cada um ajudou de uma forma: alguns me deram apoio emocional; outros viajaram comigo, indicaram meu trabalho e compartilharam conteúdos. Essa confiança foi essencial para que eu ganhasse segurança”, A empresária reforça que o trabalho é essencialmente on-line. “Sou responsável pela direção da empresa, pela curadoria das viagens e pelo relacionamento com os clientes. Também tenho uma profissional de marketing que atua comigo na comunicação e no posicionamento da marca”.