Para Marina, São Paulo tem condições de liderar debates sobre avanços em meio ambiente e pesquisa (Alexsander Ferraz/AT) A deputada federal e ex-ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima Marina Silva (Rede) deve ter definição, até a primeira semana de junho, se será pré-candidata ao Senado por São Paulo. Para ela, a escolha será feita “com tranquilidade”. “É um processo tranquilo que está sendo debatido dentro da nossa frente, pelo (pré-candidato ao Governo do Estado), Fernando Haddad (PT). Mas, com todo o respeito aos companheiros do PSB, a Federação Rede-PSOL deve estar também contemplada na chapa majoritária como uma das vagas para o Senado”, disse ela, que nesta sexta-feira (22) visitou o Grupo Tribuna. Também são pré-candidatos ao Senado pelo mesmo campo político os ex-ministros Simone Tebet e Márcio França, ambos do PSB. Para Marina, São Paulo tem plenas condições de liderar debates em torno de avanços nas áreas de meio ambiente e pesquisa. “É o Estado que tem a maior quantidade de recursos financeiros, tecnológicos e humanos. Mas é preciso visão estratégica. Nós temos um país dentro do Brasil capaz de liderar processos.” Embates Marina Silva, que deixou o ministério em abril, lamentou que, em parte dos casos, o cumprimento da lei seja motivo de retaliação. “Eu queria implementar a lei. O que fizeram? Mudaram a lei do licenciamento (ambiental). Agora, não pode ter mais os embargos remotos, mudando, inclusive, as unidades de conservação, se rebelam contra fazer uma estrada com licença ambiental. Então, para mim, é uma frustração.” A deputada declarou crer que as políticas de sustentabilidade encontrarão eco em uma junção de fatores, como percepção e necessidade clara. “Tem um dito que diz que a gente aprende pela dor ou pelo amor. A dor foi sentida em tragédias como as do Rio Grande do Sul e do Litoral Norte de São Paulo. Isso tem uma força, porque a população não precisa ver os cálculos ou simulações: ela sentiu na pele. O mercado também está exigindo esse olhar para a sustentabilidade, e contamos com o incremento da tecnologia. Mas, se chegarmos a um ponto de não retorno, não terá mais nada a fazer”, alertou Marina. Foz do Amazonas A ex-ministra comentou, ainda, a polêmica em torno da exploração de petróleo na foz do Rio Amazonas, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para ela, é um tema complexo e que requer cuidados. “Toda licença que foi pedida até agora foi para fazer a prospecção, verificar se tem petróleo, em qualidade e quantidade. Se os resultados forem positivos, entra a fase de exploração econômica. O que temos defendido é que, enquanto ocorre a prospecção, que vai demorar entre três e cinco anos, fazer os estudos, que, no caso de petróleo e gás, chamam-se avaliação ambiental para a área sedimentar, a serem feitos pelos ministérios de Minas e Energia e Meio Ambiente.” Quem é Maria Osmarina Marina da Silva Vaz de Lima tem 68 anos. Nasceu em um seringal em Rio Branco (AC) em 8 de fevereiro de 1958. Alfabetizou-se aos 16 anos e se formou em História pela Universidade Federal do Acre aos 26. Entre os cargos eletivos que ocupou, estão o de vereadora em Rio Branco (eleita em 1988), deputada estadual e senadora.