[[legacy_image_78073]] A partir do ano que vem, toda a população deve receber uma terceira dose (segunda, no caso de quem recebeu o imunizante da Janssen) da vacina contra a covid-19. O anúncio foi feito nesta sexta (9), pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em coletiva em Ribeirão Preto, no Interior do Estado. Para especialistas ouvidos por A Tribuna, é importante que as autoridades já pensem em um esquema vacinal para o próximo ano, a fim de garantir imunizantes para toda a população. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! O governador acompanhou nesta sexta (9) o lançamento dos testes em humanos da vacina ButanVac, primeiro imunizante produzido pelo Instituto Butantan com tecnologia 100% brasileira. Os exames iniciais serão na Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. Segundo Doria, toda a população deverá ser vacinada novamente, por faixa etária, semelhante ao que está acontecendo este ano. Essa dose extra teria o objetivo de aumentar a imunidade diante do surgimento de várias variantes do novo coronavírus. “A partir de janeiro do ano que vem, todos os brasileiros precisarão se vacinar de novo. Pela ordem, os que foram vacinados em janeiro (de 2021) serão vacinados em janeiro (de 2022). Sequencialmente”. Para a infectologista Raquel Stucchi, é realmente importante estabelecer agora uma programação de vacinação para o ano que vem. “Essa necessidade de imunização não acabará este ano. Temos de garantir já para o ano que vem, mas que seja acelerada e tenha mais vacinas disponíveis para a população”. Ela explica que, por enquanto, ainda não há uma resposta completa com relação ao intervalo entre as doses e se as pessoas deverão ser vacinadas contra a covid-19 todos os anos, como já acontece com a campanha contra a gripe. “Nenhum de nós sabe como será isso. Pode ser apenas mais uma dose ou termos de refazer o esquema de duas doses todos os anos. É importante pensarmos que, no fim deste ano, completará um ano de imunização para quem foi voluntário das pesquisas, por exemplo”, diz Raquel. Aprendizado Para o infectologista Eduardo Santos, as autoridades e a população devem aprender com os erros cometidos desde o começo da pandemia, para que a situação melhore daqui para a frente. “Cada tipo de vacina pode ter um esquema diferente e é preciso pensar em tudo isso. Não podemos ficar com vacinas pingando e uma imunização tão lenta com tem acontecido. Temos de nos antecipar e programar um reforço da melhor maneira possível”. Para ele, as novas variantes, como a Delta, devem ser uma preocupação a mais. “Enquanto as pessoas não forem imunizadas, corremos um risco maior de novas cepas aparecendo. Esse é mais um motivo para acelerarmos esse processo”, diz Eduardo. Hoje, em uma análise global, 43% das pessoas não foram vacinadas. “Temos a tendência de analisar os países que estão mais avançados na vacinação, mas nem todos estão nessa situação. Esse é um número preocupante, que abre espaço para novas variantes”, defende o infectologista Jacyr Pasternak. Ao que tudo indica, a oferta de vacinas será maior no próximo ano, principalmente por conta de novos produtores. “Agora, é fundamental que tenhamos um movimento que pense lá na frente, pois o mundo todo precisará ser vacinado de novo e não podemos ficar para trás mais uma vez”.