<p data-end="275" data-start="0">A Dívida Pública Federal (DPF) aumentou 3,3% em fevereiro, impulsionada pelo alto volume de emissões de títulos e pelo baixo número de vencimentos. Segundo o Tesouro Nacional, o estoque da dívida passou de R\$ 7,253 trilhões em janeiro para R\$ 7,492 trilhões no mês passado.</p> <p data-end="453" data-start="277">Apesar da alta, a dívida ainda está abaixo do previsto no Plano Anual de Financiamento (PAF), que estima um valor entre R\$ 8,1 trilhões e R\$ 8,5 trilhões até o final de 2025.</p> <h3 data-end="507" data-start="455">Crescimento impulsionado por emissões recordes</h3> <p data-end="861" data-start="509">A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi) subiu 0,23%, passando de R\$ 6,951 trilhões para R\$ 7,178 trilhões. Em fevereiro, o Tesouro emitiu R\$ 189,92 bilhões em títulos a mais do que resgatou, principalmente papéis prefixados (com juros fixos) e atrelados à Selic. Além disso, a apropriação de juros adicionou R\$ 70,85 bilhões ao estoque da dívida.</p> <p data-end="1095" data-start="863">A apropriação de juros ocorre quando o governo reconhece, mês a mês, os juros acumulados sobre os títulos e os incorpora ao total da dívida. Como a taxa Selic está em 14,25% ao ano, esse fator pressiona ainda mais o endividamento.</p> <p data-end="1299" data-start="1097">O volume de emissões da DPMFi chegou a R\$ 145,39 bilhões, o maior já registrado desde o início da série histórica em 2006. Já os resgates somaram apenas R\$ 33,98 bilhões, o menor valor desde dezembro.</p> <p data-end="1557" data-start="1301">No mercado externo, a Dívida Pública Federal Externa (DPFe) cresceu 4,15%, passando de R\$ 301,81 bilhões para R\$ 314,34 bilhões. Esse aumento foi influenciado pela valorização de 1,35% do dólar e pela emissão de US\$ 2,5 bilhões em títulos internacionais.</p> <h3 data-end="1599" data-start="1559">Reserva financeira volta a crescer</h3> <p data-end="1896" data-start="1601">Após uma queda em janeiro, o colchão da dívida pública – reserva financeira que garante pagamentos em períodos de turbulência – voltou a subir, passando de R\$ 744 bilhões para R\$ 889 bilhões. O Tesouro atribui esse aumento ao forte volume de emissões líquidas (emissões menos resgates) no mês.</p> <p data-end="2087" data-start="1898">Atualmente, essa reserva cobre cerca de 6,66 meses de vencimentos da dívida pública. Nos próximos 12 meses, o governo precisará pagar R\$ 1,267 trilhão em títulos que vencem nesse período.</p> <h3 data-end="2115" data-start="2089">Composição da dívida</h3> <p data-end="2228" data-start="2117">Apesar da forte emissão de títulos prefixados e atrelados à Selic, a estrutura da dívida pública mudou pouco:</p> <ul data-end="2816" data-start="2230"> <li data-end="2356" data-start="2230"> <p data-end="2356" data-start="2232"><strong data-end="2261" data-start="2232">Títulos atrelados à Selic</strong>: passaram de 47,98% para 47,77%. O PAF prevê um intervalo entre 48% e 52% até o fim de 2025.</p> </li> <li data-end="2571" data-start="2357"> <p data-end="2571" data-start="2359"><strong data-end="2381" data-start="2359">Títulos prefixados</strong>: cresceram de 20,15% para 20,54%. A estimativa do PAF é de 19% a 23%. Esses papéis dão mais previsibilidade ao governo, mas são menos atraentes para investidores em momentos de incerteza.</p> </li> <li data-end="2701" data-start="2572"> <p data-end="2701" data-start="2574"><strong data-end="2606" data-start="2574">Títulos atrelados à inflação</strong>: tiveram leve redução, de 27,72% para 27,51%, dentro da faixa prevista pelo PAF (24% a 28%).</p> </li> <li data-end="2816" data-start="2702"> <p data-end="2816" data-start="2704"><strong data-end="2734" data-start="2704">Dívida vinculada ao câmbio</strong>: subiu de 4,15% para 4,18%, mantendo-se dentro do intervalo previsto (3% a 7%).</p> </li> </ul> <p data-end="2961" data-start="2818">O prazo médio da dívida caiu de 4,11 para 4,08 anos, indicando que o governo está renovando seus compromissos em prazos um pouco mais curtos.</p> <h3 data-end="2997" data-start="2963">Quem detém a dívida pública?</h3> <p data-end="3129" data-start="2999">As instituições financeiras continuam sendo as maiores detentoras da dívida interna, com 29,8% do estoque. Em seguida, aparecem:</p> <ul data-end="3308" data-start="3131"> <li data-end="3162" data-start="3131"> <p data-end="3162" data-start="3133"><strong data-end="3153" data-start="3133">Fundos de pensão</strong>: 24,1%</p> </li> <li data-end="3200" data-start="3163"> <p data-end="3200" data-start="3165"><strong data-end="3191" data-start="3165">Fundos de investimento</strong>: 22,3%</p> </li> <li data-end="3279" data-start="3201"> <p data-end="3279" data-start="3203"><strong data-end="3232" data-start="3203">Investidores estrangeiros</strong>: 9,7% (queda em relação aos 9,9% de janeiro)</p> </li> <li data-end="3308" data-start="3280"> <p data-end="3308" data-start="3282"><strong data-end="3299" data-start="3282">Outros grupos</strong>: 14,2%</p> </li> </ul> <p data-end="3419" data-start="3310">A participação de estrangeiros tem recuado desde novembro, quando chegou a 11,2%, o maior nível desde 2018.</p> <h3 data-end="3458" data-start="3421">Como funciona a dívida pública?</h3> <p data-end="3795" data-start="3460">A dívida pública é a forma como o governo capta recursos no mercado para financiar suas despesas. Ele emite títulos que são comprados por investidores, comprometendo-se a pagar o valor investido com juros no futuro. Esses títulos podem estar atrelados à Selic, à inflação, ao câmbio ou ter uma taxa fixa definida no momento da emissão.</p>