A pesquisa concluiu que o uso da tinta permitiu uma economia de 30% a 40% na carga de refrigeração em ambientes internos (Unsplash) Pesquisadores de universidades dos Estados Unidos, Cingapura, Suécia e China anunciaram uma tinta revolucionária que promete mudar o modo como as cidades enfrentam o calor. Capaz de refletir até 98% da luz solar, o novo revestimento foi desenvolvido com o auxílio de inteligência artificial e já apresentou resultados expressivos em testes de campo, com redução de até 40% no uso de ar-condicionado e resfriamento natural de ambientes urbanos. A tecnologia representa um avanço significativo em soluções sustentáveis para grandes centros urbanos, especialmente em tempos de aumento global das temperaturas e crescente demanda por eficiência energética em edificações. Como a tinta funciona Diferente de tintas térmicas convencionais, esta nova formulação combina três sistemas de resfriamento passivo: alta refletância solar, emissão térmica por radiação infravermelha e efeito evaporativo semelhante ao suor humano. Quando aplicada em telhados e fachadas, a tinta consegue resfriar as superfícies externas em até 20 °C em relação a materiais comuns expostos ao sol, e manter o interior dos imóveis até 4 °C mais frio do que a temperatura ambiente. Os testes foram realizados em mini-edifícios no clima quente e úmido de Cingapura, com temperaturas controladas e medição constante de consumo energético. A pesquisa concluiu que o uso da tinta permitiu uma economia de 30% a 40% na carga de refrigeração em ambientes internos. A ciência por trás da inovação O trabalho é liderado pelo professor Yuebing Zheng, da Universidade do Texas em Austin, em parceria com pesquisadores do Instituto de Pesquisa em Energia Solar de Cingapura e da Universidade de Linköping, na Suécia. Os cientistas utilizaram algoritmos de inteligência artificial para modelar e testar combinações de materiais e estruturas ópticas que maximizassem a refletividade e a dissipação de calor. Quatro protótipos diferentes de tinta foram analisados até que se chegasse à versão mais eficaz, capaz de se adaptar a diferentes tipos de telhados e climas. A pesquisa foi publicada na prestigiada revista científica Science e já está em processo de patente e industrialização. Aplicações urbanas e econômicas Além do impacto direto sobre o conforto térmico, a nova tinta pode gerar grandes economias energéticas em centros urbanos. Edifícios residenciais, escolas, hospitais e até galpões industriais podem se beneficiar da tecnologia, reduzindo significativamente os custos com refrigeração artificial, como ar-condicionado e ventilação forçada. Segundo os cientistas envolvidos, o produto é especialmente útil em áreas com temperaturas elevadas e forte radiação solar. Além de diminuir o consumo elétrico, o revestimento ajuda a mitigar o efeito de ilhas de calor — fenômeno típico de grandes cidades, em que a concentração de concreto, asfalto e estruturas metálicas eleva a temperatura urbana em vários graus. Caminho para o mercado Com a pesquisa concluída e o registro de patente em andamento, o desafio agora é transformar o laboratório em linha de produção. A equipe busca parcerias com fabricantes de tintas e empresas do setor da construção civil para viabilizar a fabricação em escala industrial. O objetivo é que a nova tinta chegue ao mercado com um custo acessível, podendo ser usada tanto em novos projetos quanto em reformas. A durabilidade e a resistência a intempéries também foram levadas em conta no desenvolvimento do produto, o que torna a aplicação prática e de longo prazo.