[[legacy_youtube_foFtqWmNKjE]] É muito cedo para comemorar, pois a pandemia é ainda uma realidade sem cura efetiva. Mas a situação vivida em Portugal no combate ao vírus tem sido exemplar e elogiada ao redor do globo. Porém, quais seriam as razões deste sucesso quase que único em todo o mundo, e que tem, até aqui, poupado Portugal de uma catástrofe? Vale lembrar que a população idosa do país é muito grande. Cerca de 21,3% dos habitantes têm mais de 65 anos de idade, segundo o Dia Europeu das Estatísticas, em números divulgados no final de 2019. Para o jornalista francês Anthony Bellanger, que assinou um artigo de opinião intitulado “O mistério português” para uma rádio francesa, a resposta para essa pergunta vem de uma junção de fatores. Os primeiros deles, a geografia e o turismo. Para Bellanger, a questão geográfica do país ajudou bastante. “Portugal é o único país do continente europeu a ter apenas um vizinho, neste caso a Espanha. É, portanto, o único país europeu em que o encerramento antecipado das fronteiras foi eficaz”, explica o francês. Ainda na questão geográfica, Anthony salientou que, por estar no “extremo oeste da Europa”, Portugal pôde “ver o futuro”. “Ou seja, a epidemia – e a sua fase crescente – começou mais tarde do que em Espanha, França ou Itália”, conclui. Já em relação ao turismo, o jornalista escreveu que, como o país vive muito do turismo, não precisou “enfrentar uma onda de casos importados. Só precisou gerir um pequeno grupo de visitantes um tanto quanto solitários no meio do inverno”. O artigo continua enumerando as razões do sucesso em Portugal. E outro destaque foi a obediência e a disciplina do povo português. O texto lembra que Portugal e França começaram o isolamento praticamente ao mesmo tempo, no dia 13 de março. Mas nessa altura, no país luso, os casos se contavam nos dedos de duas mãos e a França já contabilizava centenas de mortos. Bellanger enalteceu o primeiro-ministro do país, Antônio Costa, que disse em rede nacional que “os portugueses são disciplinados”, e são mesmo. Em finais de fevereiro, antes mesmo do governo falar em isolamento, as pessoas já começavam a se isolar, deixavam de ir a restaurantes e bares e não levavam os filhos a escola. “Como resultado, muitas escolas fecharam ainda antes da decisão do governo por falta de alunos. O mesmo aconteceu com alguns negócios, especialmente nos centros das principais cidades do país: anteciparam a ordem de encerramento por falta de clientes”, recorda o francês. O texto termina com uma nota política: Portugal tem uma “continuidade governativa”, algo de que Espanha, por exemplo, não pode “tirar proveito”, uma vez que teve quatro eleições legislativas desde 2015. E, ao contrário do país vizinho, os portugueses emergiram “da austeridade muito antes e com sucesso”. “Menos austeridade, menos cortes na saúde pública, um país mais bem preparado”, justifica o jornalista. E em Portugal governo e oposição trabalharam juntos, não houve guerra política. Os elogios aos portugueses não ficaram por aí. Além de disciplinados, são “generosos”. Em 28 de março, Portugal “decidiu regularizar todos os migrantes que apresentaram uma autorização de residência e renovar automaticamente as autorizações de residência que expiram”. “Generosidade, mas também medida de saúde pública: ao regularizar todos, o governo dá acesso a toda a população residente em Portugal ao sistema de saúde gratuito e universal: todos protegem todos da covid-19”, conclui Bellanger.