[[legacy_image_14795]] Foram confirmados até a última terça-feira, dia 3, pelo Ministério da Saúde e pela Direção-Geral da Saúde, os quatro primeiros casos de Covid-19 em solo português. O primeiro caso é o de um médico de 60 anos, que esteve de férias no norte da Itália, sentiu os primeiros sintomas no dia 29 de fevereiro e está internado no Centro Hospitalar do Porto. O segundo paciente é outro homem de 33 anos, internado no Hospital de São joão, também no Porto. Ele manifestou os sintomas em 26 de fevereiro, após retornar de uma viagem a Valência, na Espanha. O estado de saúde de ambos é estável. Depois apareceram mais dois casos, estes ainda sem maiores informações. Sabe-se que são um homem também com 60 anos e outro de 37 anos, ambos internados no Hospital Curry Cabral, em Lisboa. A ministra da Saúde de Portugal, Marta Temido, afirmou que os contatos destes pacientes “estão sendo colocados em vigilância”. E indicou que as administrações regionais de Saúde estão a trabalhar para a identificação dessas pessoas e avaliar o seu grau de exposição ao vírus. Marta confirmou ainda que todos os voos provenientes da China e da Itália sofrerão intervenção das autoridades de saúde, para que se faça uma triagem de todos que cheguem de locais onde o surto da doença é maior. Além destes primeiros casos registrados em Portugal, outro português já tinha sido infectado pelo vírus. Trata-se de Adriano Maranhão, de 41 anos, que estava trabalhando a bordo do navio de cruzeiros Diamond Princess, que ficou isolado no Porto de Yokohama, no Japão, vítima de um grande surto do Covid-19, Maranhão ficou internado no Japão e teve alta hospitalar depois da segunda análise ter sido negativa para o vírus. Encontrado também no Brasil durante esta semana, o que mais tem intrigado os cientistas é que o genoma do coronavírus tem variado de país para país. No Brasil, os dois primeiros casos confirmados eram diferentes um do outro, e ambos diferentes do genoma encontrado na China. Tal afirmação foi confirmada por um estudo feito por cientistas do Instituto Adolf Lutz, em parceria com o Instituto Tropical da Universidade de São Paulo (USP). Essa diferença, segundo os cientistas, indica que está ocorrendo uma transmissão interna nos países europeus. “O primeiro isolado no Brasil se mostrou geneticamente mais parecido com o vírus sequenciado na Alemanha. Já o segundo genoma assemelha-se mais ao sequenciado na Inglaterra. E ambos são diferentes das sequências chinesas. Tal fato sugere que a epidemia de corona vírus está ficando madura na Europa, ou seja, já está ocorrendo transmissão interna nos países europeus. Para uma análise mais precisa, porém, precisamos dos dados da Itália, que ainda não foram sequenciados”, disse Ester Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical (IMT) da USP. O surto que emergiu na cidade chinesa de Wuhan, no final do ano passado, foi provocado por um novo corona vírus, anteriormente desconhecido da ciência. Ele foi batizado com esse nome porque sua forma se assemelha a uma coroa. Não se sabe ao certo de onde emergiu, mas acredita-se que foi a partir de um mercado de venda de peixe fresco que comercializava também outros animais vivos, entre eles morcegos e cobras. A epidemia já infectou mais de 89 mil pessoas em 60 diferentes países. 3.048 pessoas já faleceram vítimas da doença, cerca de 2.800 só na China. Ainda não há nenhum medicamento específico, nem vacina, para atacar este novo vírus. Os doentes infectados estão sendo tratados com fármacos testados para outras pneumonias e permanecem em isolamento, de forma a evitar o contágio de terceiros. Sobre o autor Luiz Plácido é jornalista, apresentador do programa Destino Portugal (transmitido no canal de TV a cabo Travel Box Brazil) e proprietário da agência de turismo Destino Portugal Viagens. Ele escreve na coluna Conexão Portugal, do Jornal A Tribuna, quinzenalmente, às quintas-feiras.