O Japão é um destino turístico dos mais almejados. A atenção aos mínimos detalhes, a hospitalidade, o asseio e a segurança oferecida por todo o arquipélago são responsáveis por 5,5 milhões de entradas de estrangeiros com intenção de experimentar os atributos desta indústria, com seus templos budistas e xintoístas, jardins concebidos há séculos, paisagens naturais e culinária única. No entanto, devido ao mau comportamento repetido, algumas atrações estão recusando visitantes estrangeiros. O jornal Asahi divulgou que uma tendência política contrária à recepção de estrangeiros está se espalhando e “um crescente número de instalações já recusa receber grupos de turistas não-japoneses por seus péssimos modos e ações repugnantes de alguns visitantes do exterior”. A informação foi reproduzida no site South China Post Magazine, que atinge leitores de Taiwan e Hong Kong. O templo de Nanzoin, na cidade de Fukuoka, é um desses destinos, agora exclusivo apenas para japoneses. Seus sacerdotes passaram muitos anos reclamando que o fluxo de turistas vindos de cruzeiros com escala na cidade alterou a atmosfera do templo. Nanzoin é famoso pela presença de uma imponente estátua do Buda, reclinado, medindo 41 metros de comprimento. Os viajantes chegavam a banhar-se em uma queda d’água, localizada nos arredores, executar música em tom estridente através dos autofalantes de seus smartphones e até mesmo escalavam a estátua de bronze. A transcendental paciência dos sacerdotes estava desgastada quando resolveram pedir a um website de turismo local para deletar informações sobre o templo. Hoje, visitantes vão encontrar placas escritas em 12 línguas dizendo a grupos de não-japoneses que eles não são mais bem-vindos. Viajantes solitários ainda são tolerados, pois são vistos como pessoas que se portam com um mínimo de distinção. Em Kumamoto, o templo de Yatsushiro sofreu o mesmo fardo, sendo inundado com turistas matinais. Em Quioto, de acordo com a reportagem, um dono de um izakaya, tradicional bar japonês, admitiu que chega a mentir, dizendo que seu estabelecimento está lotado quando grupos de quatro ou cinco estrangeiros aparecem. “Eu quero que Quioto pare de publicar anúncios visando o público estrangeiro”, afirma o comerciante. O que a matéria do Asahi não deixa claro é de que países os baderneiros vieram. Os comentaristas logo apontam o dedo para a China, que é a maior responsável pelo crescimento do setor de turismo de cruzeiros ao Japão. A matéria do South China Post Magazine aponta que os ocidentais têm testado a filosofia japonesa da hospitalidade “omotenashi” há bastante tempo. Em 2018, um youtuber norte-americano foi banido do arquipélago, por seus vídeos desrespeitosos. Mais de 30 milhões de turistas vieram ao Japão em 2018. A organização das Olimpíadas é parte do plano de receber 40 milhões de turistas em 2020. Cabe às comunidades locais a capacidade de acomodá-los. Apesar do incômodo e falta de modos, os turistas trouxeram às economias locais 4,5 trilhões de ienes, o equivalente à R\$ 161 bilhões em 2018.