[[legacy_image_15246]] Atualmente reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma epidemia de alcance global, o vírus de Wuhan, na verdade uma mutação do coronavírus, contamina milhares de cidadãos chineses e oficialmente causou a morte de centenas, desde sua primeira aparição, em novembro de 2019. A cidade chinesa foi pega “de surpresa”, com um sistema de saúde incapaz de atender tantos pacientes. Uma a uma, as primeiras vítimas fatais foram aparecendo, entre elas, claro, a verdade. Se hoje o governo chinês, através de suas redes de comunicação estatais, divulga números de vítimas e indivíduos infectados por província, preocupado em informar os cidadãos da gravidade da epidemia, lá no início não foi bem assim. No dia 17 de janeiro, jornais do mundo inteiro já noticiavam o mercado de Wuhan como o epicentro de uma nova doença respiratória, ainda sem cura, de origem animal. Nesta data, entrando em contato com cidadãos chineses via aplicativo WeChat, a resposta foi de total desconhecimento sobre o assunto. O governo da província de Hubei, onde fica Wuhan, admite ter escondido a doença. Apenas a partir de 19 de janeiro, seis dias antes da festa do ano novo chinês, e feriados nacionais em série, os fatos começaram a ser divulgados, inundando a rede social Weibo com criticismo. No país onde a internet é bloqueada, é preciso usar VPNs, redes privadas virtuais, para acessar plataformas como Facebook, Twitter e Youtube. Foi a partir desses links que os internautas chineses conseguiram se informar sobre o que o mundo inteiro já estava sabendo. Temendo o julgamento da comunidade internacional, o regime chinês permitiu a livre divulgação das informações, que parecem verdade. Nesse ponto, a cidade de Wuhan já tinha cerca de 400 mil infectados. “São apenas 0,03%, “uma fração pequena” da população de 11 milhões de habitantes”, diz cidadão entrevistado por uma rede de tevê alemã. Logo surgiu o anúncio da construção de um hospital em tempo recorde. Seis dias para os primeiros quartos de ambulatório e um mês até o final da obra. Contra um vírus mortal e unidos pela indignação, os chineses passaram seu principal feriado em casa. Na noite de ano novo, vídeos de pessoas entoando a palavra de encorajamento “jyayou”, apareceram na internet, em cenas comoventes de resiliência. As bolsas caem, o preço do barril de petróleo volta a subir e as cidades chinesas desvalorizam-se. Mais que uma epidemia, o coronavírus de 2019 é um agente de mudanças na China continental. Surgem duas classes de formadores de opiniões antagônicas. Aqueles que aproveitam o momento de fraqueza para criticar o governo do regime e os que se mostram solidários com as autoridades. Esta situação deve consolidar uma parcela da opinião pública chinesa em plena ascenção: a oposição ao governo, algo impensável até então no regime totalitário. Em meio ao caos de cidades fechadas, transportes públicos parados, expediente proibido para empresas que não sejam necessárias para a ordem pública, os chineses estão intrincheirados em suas residências. Chinês, guia turístico da cidade Pequim, Paulo Ren informa que o governo pediu dez dias para tentar diminuir o número de mortes e que até maio a situação deve estar sob controle. Em 2003, surgiu o primeiro coronavírus, denominado Sars. O surto durou seis meses, adoeceu mais de 8 mil pessoas, das quais 774 vieram a óbito. A epidemia de coronavírus tem previsão de alcançar seu pico no final de abril, informa a rede de notícias sul-coreana CCN. A reportagem cita Vas Narasimhan, presidente da empresa farmacêutica Novartis, afirmando que pode demorar um ano até que uma vacina seja desenvolvida. Sobre o autor: Yukio Spinosa é jornalista, intérprete, tradutor e consultor para prospecção de produtos da indústria japonesa.