O aluguel e o compartilhamento de veículos são apontados como uma revolução na forma como as pessoas se deslocam, colocando em xeque a necessidade de aquisição de um carro, que tem encargos como manutenção, imposto e seguro. Atualmente, no Japão, o serviço ainda está concentrado em cidades densamente povoadas, como as metrópoles Tóquio, Yokohama e Osaka. No entanto, de acordo com o jornal Asahi Shimbun, um crescente número de usuários de carros compartilhados não os aluga para dirigir. A operadora de aluguel de carros Orix Auto Co. teve dificuldade para entender o que certos consumidores faziam com sua frota. No verão de 2018, após ser inquirida por uma rede de notícias, a empresa constatou que nem todos os 230 mil usuários registrados em seu serviço de mobilidade compartilhada de fato utilizaram os carros para se deslocar, quando examinou os registros de quilometragem. “Uma porcentagem significativa não viajou sequer um quilômetro”. Os carros são oferecidos via aplicativo de smartphone e disponibilizados em estacionamentos localizados em áreas de alta concentração populacional, como Shibuya, um dos mais populares distritos de Tóquio, por exemplo. Para solucionar este mistério, outra operadora encomendou uma pesquisa junto aos consumidores de seus serviços de aluguel de carro via smartphone. Trata-se da companhia que lidera o mercado de provedoras de carros compartilhados, inicialmente uma rede de estacionamentos com presença em todo o território nipônico, a Times24 Co., com mais de 1,2 milhão de usuários registrados. Constatou-se que muitos clientes utilizaram os veículos para dormir ou como espaço de trabalho, protegendo-se do Sol, do vento e da chuva. Alguns respondentes confessaram usar o espaço para guardar volumes e outros, assim como aconteceu durante o grande desastre natural de 2011, apenas recarregavam seus telefones nos carros. Os carros compartilhados são também um espaço para comer, dormir e pensar, concluiram as provedoras, que cobram, em média, cerca de 400 ienes (R\$ 14) por 30 minutos de uso. As pesquisas mostram que o segmento de pessoas que alugam o carro e não saem do lugar está crescendo. A NTT Docomo, empresa de telecomunicações que também oferece o serviço, informa que este é o perfil de um em cada oito usuários. “As pessoas usam nossos carros de mais formas do que esperávamos”, diz o porta-voz da empresa. As operadoras deixam de ganhar dinheiro quando os carros são utilizados para outros fins. Os motoristas pagam mais quando dirigem por muitos quilômetros. Outro problema é que, quando o carro é utilizado para finalidade diferente, acaba poluindo mais o meio ambiente, já que atualmente as empresas ainda não utilizam frota eletrificada. Em 2009, haviam apenas 6.396 usuários e 563 veículos registrados para oferecer serviços de mobilidade compartilhada, ou “car sharing”. Cinco anos depois, em 2014, estes números subiram para 465.280 usuários e 12.373 veículos. O assunto é frequente nas notícias. Os jovens da geração atual não têm tanto interesse em adquirir um carro. A indústria automotiva observa este fenômeno e também passou a oferecer os carros compartilhados. A Toyota lançou o serviço em 2016, quando começou a desenvolver uma plataforma para serviços de mobilidade, “colaborando com outras companhia e serviços para criar uma nova sociedade móvel e colaborar para mobilidade mais segura e conveniente aos consumidores”, afirmou um de seus diretores, Shigeki Tomoyama, no site da empresa.