Agosto chegou e Paris fica subitamente mais calma, praticamente irreconhecível. É sinal de que as férias chegaram e os parisienses se evadiram em direção às praias, montanhas ou campo. Esta época do ano é o período das grandes férias aqui, época de verão e que antecede o início do ano letivo, que começa em setembro, o que equivaleria aos meses de dezembro e janeiro no Brasil. É um mês em que as empresas diminuem drasticamente o seu ritmo de trabalho – muitas até encerram suas atividades durante algumas semanas, pois sabem que não terão clientes (e isso inclui pequenos mercados, alguns bares e restaurantes). E tudo mundo parte mesmo. Difícil encontrar alguém que não tire ao menos uma semana para sair da Capital. Os franceses prezam muito este corte da vida cotidiana, partir em viagem, sair do seu ambiente de todo dia. Existe inclusive ações do governo para ajudar famílias menos favorecidas à viajarem. Algumas medidas incluem toda a família e outras, apenas crianças. Nada de viagem de luxo ou extraordinário, é apenas o conceito da égalité e do savoir vivre à la française aplicado à todas as camadas sociais, pois acredita-se que este distanciamento do cotidiano é fundamental para poder recarregar as energias. A iniciativa do Ministério da Educação conta com em torno de 590 mil crianças, vindas de mais de 200 mil famílias que são beneficiadas com a ajuda do governo. Destas crianças, cerca de 240 mil partem para colônia de férias e 350 mil com seus pais. Para quem, como eu, não vai tirar férias e permanecerá em Paris, é um momento de aproveitar e se apropriar da cidade de uma maneira diferente. Ir trabalhar num ritmo mais lento, menos estressante, encontrar lugar para sentar durante o trajeto do metrô. Momento também para aproveitar as atividades veraneias da prefeitura de Paris. Se a gente não pode ir até a praia, a praia vem até a gente. Assim, todos os anos, a prefeitura implanta, nas margens do Rio Sena e do Canal do L'Ourcq, uma “praia” efêmera. Areia, cadeira de praia, guarda sol e diversas atividades para quem quer ter um pouco de sensação de praia. Prazer a parte, lembro que em 2016, no primeiro verão após os atentados, em que toda a França estava hipermobilizada para evitar novos casos de terrorismo, eu estava na “praia parisiense” de biquíni e me sentia desconfortável com a presença de militares e suas grandes metralhadoras circulando entre as cadeiras de praia. Cenário bem atípico para quem quer relaxar numa praia. Outra atividade interessante em Paris é o cinema a céu aberto, instalado num parque da cidade. Todas as noites são exibidos filmes no telão. A atividade é gratuita, basta levar a sua canga e sentar na grama. Verão As estações do ano são bem marcadas aqui na França, em comparação ao Brasil. Fora do verão, raramente há dias ensolarados e temperaturas amenas. No inverno e mesmo no outono, o dia demora para amanhecer e, em contrapartida, anoitece muito rápido. A falta de luz e da famosa vitamina D faz com que fiquemos mais desanimados, encolhidos, sem muita motivação pra sair. E claro, quando saímos, é pra entrar dentro de algum lugar pois, com temperaturas que às vezes chegam à -10 graus, ninguém quer ficar batendo perna por aí. Assim, quando chega o verão é como se saímos de uma hibernação. Existe uma forma de ansiedade instaurada, a fim de aproveitar cada raio de sol, pois sabemos que isso vai durar pouco. E olha que nesta época do ano, os raios de sol se estendem até as 22h. Também é quando acontecem os festivais e as programações mais interessantes do ano. Muitas pessoas que viajam para França dizem que o problema de Paris são os parisienses. Verão em Paris é ter a exclusividade de aproveitar a cidade sem seus moradores e seu típico (mal) humor. Enfim, o momento ideal para quem quer desfrutar da cidade com a casa vazia.