Enquanto o Sul lida com excesso de chuva, Norte e Nordeste sofrem com estiagens (Beatriz Gonçalves Pereira / Divulgação) O El Niño, fenômeno que eleva a temperatura das águas no Oceano Pacífico Tropical, deve ter impacto direto na dinâmica das chuvas no Brasil em 2025. A expectativa dos meteorologistas é que o Sul do país vivencie um período de chuvas acima da média, agravando riscos de alagamentos e deslizamentos. Em contraste, Norte e Nordeste podem enfrentar secas mais intensas, alterando o semanal meteorológico e exigindo preparo das autoridades e da população. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O que é El Niño e por que importa? El Niño é uma fase do ciclo climático ENSO (El Niño–Oscilação Sul) em que as águas do Pacífico Equatorial se aquecem — fenômeno identificado pelo surgimento de temperaturas atipicamente altas nessa região. Esse aquecimento provoca mudanças nos ventos e padrões climáticos em larga escala, influenciando clima, agricultura e recursos hídricos em diversas partes do mundo. Efeito previsto para o Sul do Brasil De acordo com análises do Inpe, Inmet e Funceme, o Sul deve registrar chuvas – muito acima da média histórica, especialmente a partir da primavera e ao longo do verão GOV.BR+1Inmet+1. Dados de 2023 mostram que essa região ficou com precipitação 922 mm acima da média anual, com destaque para Passo Fundo (RS), que registrou cerca de 2.840 mm. O excesso de chuva favorece a formação de ciclones extratropicais, que carregam umidade intensa e provocam eventos extremos. O Climatempo alerta que, sob El Niño, a probabilidade de ciclones e chuvas torrenciais no Rio Grande do Sul é elevada. Consequências diretas já são visíveis: entre abril e maio de 2024, enchentes em 94% das cidades gaúchas foram atribuídas ao El Niño, consideradas das piores da história recente da região. E o resto do Brasil? Enquanto o Sul lida com excesso de chuva, Norte e Nordeste sofrem com estiagens. Nessas regiões, o aquecimento do Pacífico tende a inibir a chegada de frentes frias e nuvens carregadas, reduzindo a precipitação. No Norte, a baixa pluviosidade colabora para agravar queimadas e queda no nível dos rios, embora o Atlântico tropical também seja um fator condicionante Inmet+15Inmet+15GOV.BR+15. No Nordeste, a seca prolongada reforça a necessidade de ações emergenciais, como racionamento hídrico e apoio à agricultura familiar. O que esperar da temporada 2025 Primavera e verão com chuvas intensificadas no Sul: aumento de risco de enchentes, deslizamentos e danos à infraestrutura Seca acentuada no Norte e Nordeste: impacto na produção agrícola, hidrelétrica e condições sociais Centro-Oeste e Sudeste: podem experimentar chuvas mais constantes, mas com variabilidade alta e risco de eventos extremos dentro do padrão Como se preparar Monitoramento constante dos órgãos meteorológicos (Inmet, Cepagri, Cemaden). Planejamento urbano antifluxos, com contenção de encostas e drenagem eficiente. Alertas comunitários para enchentes e resgate preventivo. Estratégias agrícolas de irrigação assistida no Norte e Nordeste. Proteção à infraestrutura e controle de erosão no Sul.