[[legacy_image_269191]] O atacante brasileiro Vinícius Júnior, do Real Madrid, foi vítima de mais um ataque racista, no último domingo (21). O crime ocorreu na jogo contra o Valencia, no Estádio Mestalla, na Espanha. Diante do ocorrido, a discussão sobre a luta antirracista ganhou destaque, mais uma vez, na mídia. Diversas celebridades e veículos de comunicação prestaram suas considerações. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! O advogado e representante da luta antirracista, Julio Evangelista Santos Junior, popularmente conhecido na Baixada Santista como Julio Tumbi Are, ressalta que esse é apenas um caso entre muitos. “É imensurável a quantidade de racismo que ocorre todos os dias, em diversos campeonatos no mundo”. Para ele, existem diversas questões que envolvem o crime racial, principalmente no âmbito esportivo. E, além de estar em um campo de futebol, o preconceito está no campo do inconsciente social. “Vemos o Vini Jr., um homem rico, em um dos empregos mais rentáveis do mundo, jogador de um dos maiores clubes… E ainda assim sofrendo este tipo de violência”. Julio também relembrou outros casos de crimes raciais, como o do americano George Floyd, que foi brutalmente assassinado em 2020, ressaltando que não importa o local ou a posição social, a desigualdade racial continua estampada na sociedade. O racismo no Brasil Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 56% da população brasileira é negra. Outros dados do Atlas da Violência divulgados em 2021, apontam que a chance de uma pessoa negra ser assassinada no Brasil é 2,6 maior do que uma pessoa não negra. Casos como o de Vini Jr. trazem à tona essa discussão tão pertinente. “Em um momento como este, nós precisamos parar e refletir sobre tudo o que estamos fazendo”, comenta Tumbi Are. “A gente tá lutando diariamente contra um monstro invisível, que mostra a cada dia as suas garras, que não são nada invisíveis”, finaliza. Esta não foi a primeira vez que o atacante sofreu ataques racistas. “O racismo é o normal na La Liga. A competição acha normal, a Federação também e os adversários incentivam. Lamento muito. O campeonato que já foi de Ronaldinho, Ronaldo, Cristiano e Messi, hoje é dos racistas”, comentou em suas redes sociais. Não é novidadePara Paloma Santos, do Conselho de Igualdade Racial de Cubatão (Compir), a situação não é novidade: “infelizmente, mais uma vez, a gente se depara com uma cena dessas. Na verdade, isso sempre aconteceu, mas agora, com a mídia, acaba dando uma visibilidade maior”. Ela diz que os jogadores de futebol muitas vezes denunciam o racismo dentro do campo, mas não são ouvidos. "Nunca deram ouvidos, nem olhos… Sempre fingiram que isso não acontecia”. E acredita, também, que faltam políticas públicas voltadas para estas questões. “Não adianta a gente falar. Precisamos de campanhas, para mostrar que o racismo está aí, que ele mata, ele adoece; que ele afasta e exclui de todas as formas. Não dá para a gente excluir que, ainda em 2023, estejamos vendo cenas como essas”, finaliza.