Recarga de veículo eletrificado em edifício: carregamento pode ser lento ou ultrarrápido, o que exige demanda maior por energia nos prédios (Vanessa Rodrigues/AT) O crescimento da frota de carros elétricos no Brasil, com 173,5 mil vendidos apenas no ano passado, de acordo com a Associação Brasileira dos Veículos Elétricos (ABVE), gerou uma demanda em especial: a instalação de pontos para recarga, a serem incluídos em empreendimentos em construção ou nos já prontos. “Hoje a gente não tem muito norte. Estamos esperando para saber como agir. Há muitos prédios antigos, por exemplo, que não estão liberando a instalação porque não sabem bem como vai ficar”, diz o diretor regional do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon-SP), Lucas Muniz Elias Teixeira. Para ele, diferenças até no tipo de carregador pleiteado por cada dono de carro colabora com a indefinição. “A gente nunca sabe qual vai ser a necessidade. O cliente pode ter um carregador da WEG, que é genérico; o da Volvo é uma coisa; o da BYD é outra”. Segundo ele, outro fator é o tempo pretendido para recarga. “Se todo mundo fosse usar um carregamento lento, não teria muito impacto porque a demanda é baixa. Mas, se quiserem um carregamento rápido ou até ultrarrápido, de 70% em uma ou duas horas, a demanda (de energia) é muito maior. Hoje, não tem nem infraestrutura da concessionária para fornecer isso às unidades”. Hoje, de acordo com o site Plugshare, que localiza pontos de recarga no mundo todo, Santos tem apenas 21 locais com tomadas para recarga de carros elétricos. Quem atua diretamente na instalação desses pontos de recarga confirma demanda crescente pelo serviço. “Nossa empresa está no mercado há cinco anos e notamos essa busca maior. Até alguns empreendimentos que não eram favoráveis estão mudando de ideia”, diz o representante da Power2Go para o Litoral, Leonardo Rezende. “Em um prédio em construção, você consegue dimensionar uma entrada da rua dedicada para fazer carregamento de carro elétrico, onde você sabe qual é a capacidade, e consegue dividir essa potência disponível pelo número de veículos no condomínio. Dá para fazer um sistema de balanceamento, sabendo quanto você tem disponível de energia”, afirma. Para Rezende, o que ainda atrapalha é a desinformação. “Existem muitos vídeos de carros pegando fogo, assim como estações de recarga. A gente chega nos condomínios, tem uma parte dos condôminos que é contra, que fala que é perigoso. E mesmo assim, sempre aparece um condômino com um vídeo. Então, ele não quer saber o motivo, ele só quer expor que o carro elétrico pega fogo”, lamenta. Projeto O Projeto de Lei 158/25, que tramita na Câmara dos Deputados, assegura ao condômino o direito de instalar infraestrutura de recarga de carro elétrico na sua garagem, desde que observadas as normas técnicas e de segurança e que não seja proibido pela convenção do condomínio. A proposta, dos deputados Adriana Ventura (Novo-SP) e Ricardo Salles (Novo-SP), está em análise. De acordo com eles, apesar da presença cada vez maior de veículos elétricos no País, a infraestrutura de recarga ainda esbarra em desafios, especialmente em condomínios, o que dificulta a adoção mais ampla da tecnologia. (Reprodução)