A decisão da União Europeia de excluir o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne e outros produtos de origem animal para o bloco reacendeu o debate sobre as barreiras sanitárias enfrentadas pelo agronegócio brasileiro no mercado internacional. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Embora a medida europeia tenha surpreendido autoridades e produtores, esta não é a primeira vez que a carne brasileira enfrenta restrições de grandes compradores. Nos últimos anos, a China, principal destino das exportações do setor, também suspendeu temporariamente as compras do produto brasileiro. Apesar de envolverem o mesmo produto, os motivos dos embargos são diferentes. Por que a Europa decidiu barrar a carne brasileira? A União Europeia informou que o Brasil foi retirado da lista de países que atendem às exigências sanitárias do bloco relacionadas ao uso de antimicrobianos na pecuária. Segundo as autoridades europeias, o país não apresentou garantias suficientes de que determinadas substâncias proibidas pela legislação do bloco não são utilizadas durante a criação dos animais destinados à exportação. A restrição pode atingir carne bovina, aves, ovos, mel, produtos aquícolas e outros itens de origem animal a partir de 3 de setembro, caso o Brasil não consiga comprovar conformidade com as exigências. E por que a China já proibiu a carne brasileira? O caso chinês teve origem em questões ligadas à Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida popularmente como doença da vaca louca. Em 2021 e novamente em 2023, a identificação de casos atípicos da doença em animais no Brasil levou à suspensão temporária das exportações de carne bovina para a China. Os embargos ocorreram em cumprimento a protocolos sanitários firmados entre os dois países, que determinam a interrupção automática dos embarques sempre que houver confirmação da enfermidade. Embora os casos registrados fossem classificados como atípicos — ou seja, surgidos espontaneamente e sem relação com falhas sanitárias ou contaminação do rebanho —, as exportações permaneceram suspensas até que as autoridades chinesas concluíssem suas análises e autorizassem a retomada das compras. Quais são as diferenças entre os dois casos? A principal diferença está na natureza da preocupação sanitária. No caso da China, o foco estava em uma doença animal que poderia representar riscos ao comércio internacional da carne bovina. Já a União Europeia questiona o uso de medicamentos na criação dos animais e exige garantias de que substâncias proibidas em seu território não estejam presentes na cadeia produtiva destinada ao mercado europeu. Enquanto o embargo chinês estava relacionado a episódios específicos e temporários, a decisão europeia envolve adequações regulatórias e poderá exigir mudanças estruturais e comprovações adicionais por parte do setor produtivo brasileiro. O Brasil pode reverter a decisão europeia? Sim. Segundo especialistas, o país poderá voltar a integrar a lista da União Europeia caso consiga demonstrar que atende integralmente às exigências do bloco. O governo brasileiro já iniciou negociações com autoridades europeias e afirma que buscará reverter a medida antes do prazo de setembro. Entidades do setor também defendem que a pecuária nacional possui sistemas de controle sanitário e rastreabilidade compatíveis com os principais mercados internacionais. Qual embargo preocupa mais? Embora a União Europeia seja um mercado importante para a carne brasileira, a China continua sendo o principal comprador do produto. Por isso, especialistas avaliam que os embargos chineses dos últimos anos tiveram impacto econômico mais imediato sobre o setor. Ainda assim, uma eventual suspensão das exportações para a Europa preocupa produtores e frigoríficos porque ocorre em um momento de ampliação das relações comerciais entre Mercosul e União Europeia e pode abrir espaço para questionamentos de outros mercados sobre os padrões sanitários adotados pelo Brasil. A expectativa agora é que as negociações diplomáticas e técnicas avancem nos próximos meses para evitar que a restrição europeia entre efetivamente em vigor.