As cenas decorrentes de terremotos costumam impressionar pela destruição provocada e pelos dramas humanitários que mostram, com muitos mortos e desabrigados. Porém, quando os tremores acontecem em países vizinhos, como Colômbia, Venezuela, Chile ou Peru, a dúvida volta a tomar as redes sociais: podemos ser vítimas de terremotos? Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! De acordo com a Rede Sismográfica do Centro de Sismologia da USP, no dia 11 de junho, houve uma sequência de três terremotos na região de Tucuruí, no Pará. O evento de maior magnitude (3,5) registrado às 6h55, foi seguido, dois minutos depois, por um segundo evento de magnitude 2,9. Para o pesquisador do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosférica da USP, José Alexandre Araújo Nogueira, quando há rupturas nas rochas em regiões de encontro entre placas tectônicas, as ondas sísmicas se propagam pelo interior da Terra e podem percorrer distâncias muito grandes – o que, dependendo da magnitude do terremoto, conseguem ser detectadas ou até sentidas a milhares de quilômetros de distância. “Nossos sensores, por exemplo, são extremamente sensíveis e conseguem registrar terremotos de magnitude 7 em qualquer lugar do mundo. Além disso, algumas formações geológicas, como bacias sedimentares, amplificam essas ondas. Por isso, cidades como São Paulo, Belém e Manaus já registraram tremores decorrentes de terremotos ocorridos em países vizinhos”, afirma. Ele lembra que também é comum que esses tremores sejam percebidos principalmente por pessoas que estão em prédios altos, porque existe um efeito de um pêndulo: quanto mais alto o edifício, maior a vibração no topo. Explicação O geólogo aponta que o terremoto é, basicamente, uma quebra das rochas, que estão sob pressão, como nas regiões de encontro entre placas tectônicas, que estão em constante movimento: às vezes se afastam, às vezes deslizam horizontalmente umas em relação às outras e, em outras situações, colidem frontalmente. “Quando essa pressão excede um determinado limite, a rocha rompe, ou seja, falha. Esse rompimento é o que provoca o terremoto. Esses movimentos aumentam a tensão nas rochas até que, em determinado momento, ocorre a ruptura”, explica. Os países nas bordas das placas estão mais suscetíveis. Segundo ele, acredita-se que as placas tectônicas tenham a configuração de hoje, por conta de movimentos ocorridos há bilhões de anos, período em que a Terra foi esfriando. “Quando o planeta se formou, era extremamente quente e ainda não existia material sólido. Com o resfriamento, formaram-se as primeiras crostas e, posteriormente, o sistema de placas tectônicas que conhecemos hoje”. Previsão Nogueira pondera que terremotos não podem ser previstos, mas é possível identificar as regiões com maior risco sísmico, como as áreas de encontro entre placas tectônicas. “Alguns países, como o Japão, possuem sistemas de alerta precoce. Quando ocorre um terremoto, uma onda sísmica chega antes das demais, permitindo que sejam emitidos alertas com cerca de 10 a 20 segundos de antecedência. Parece pouco, mas esse tempo pode ser suficiente para que as pessoas procurem locais mais seguros”, argumenta. Países com elevado risco sísmico costumam possuir legislações específicas, principalmente para a construção civil. Os edifícios precisam ser projetados para resistir a terremotos de grande magnitude. “Além disso, é fundamental orientar a população sobre como agir durante um terremoto. Educação, treinamento e prevenção ajudam a salvar muitas vidas”, finaliza o especialista. O ponto da superfície terrestre diretamente acima do hipocentro é o epicentro. É nessa região que os efeitos do terremoto costumam ser mais intensos. O epicentro fica na superfície, enquanto o hipocentro está no interior da crosta terrestre. Ruptura Quando a pressão nas rochas ultrapassa um limite, ocorre a ruptura (falha) e o terremoto acontece Ondas sísmicas As ondas se propagam por dentro da Terra em todas as direções, podendo ocorrer em milhares de quilômetros Tremores costumam ser percebidos com mais facilidade em prédios altos, pois quanto maior o edifício, maior a vibração no topo São Paulo, Belém e Manaus já registraram tremores de terremotos ocorridos em países vizinhos