[[legacy_image_8439]] O líder do Brexit, Boris Johnson, foi escolhido nessa terça-feira (23) pelos militantes do Partido Conservador britânico para suceder a primeira-ministra Theresa May, e tentar ter sucesso onde ela fracassou: concretizar a saída do país da União Europeia. “Vamos implementar o Brexit no dia 31 de outubro”, declarou Boris Johnson logo após o anúncio dos resultados da votação. O ex-prefeito de Londres e ex-ministro das Relações Exteriores, que disputava com o atual chefe da diplomacia britânica Jeremy Hunt, obteve 66% dos votos dos cerca de 159 mil membros do partido. Ele se torna, assim, o líder dos conservadores, e tomou posse como primeiro-ministro nesta tarde, após uma visita à rainha Elizabeth II. Pouco depois do anúncio, o negociador da UE para o Brexit, Michel Barnier, expressou sua disposição de trabalhar para uma saída ordenada do Reino Unido. “Estamos ansiosos para trabalhar construtivamente com o primeiro-ministro Boris Johnson quando ele tomar posse, e para facilitar a ratificação do Acordo de Retirada e alcançar um Brexit ordenado”, declarou. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, parabenizou seu colega “por se tornar o novo primeiro-ministro do Reino Unido. Ele será ótimo!”, tuitou. O presidente francês Emmanuel Macron e a chanceler alemã Angela Merkel parabenizaram Boris e desejaram poder trabalhar o mais rápido possível com ele. Este resultado marca a chegada ao poder dos ‘brexiters’. Alguns deles jamais aceitaram que Theresa May, que se posicionou a favor da permanência do país na UE durante a campanha para o referendo de 23 de junho de 2016, tivesse sido escolhida para conduzir o divórcio. Esta é uma vitória pessoal para o deputado conservador de 55 anos, cujas gafes, excessos e outras declarações intempestivas, nos últimos 30 anos, pareceram por vezes ameaçar os sonhos de grandeza que sempre cultivou. O desafio à frente é enorme, sem equivalente para um líder britânico desde a Segunda Guerra Mundial: implementar o Brexit, sem exacerbar as profundas divisões sobre a questão, que se tornou o centro de gravidade da sociedade britânica. Uma missão em que Theresa May falhou três vezes ao não conseguir que os deputados aceitassem o acordo de saída que ela concluiu em novembro com Bruxelas.