Atualmente, as previsões sobre o aumento do nível do mar são baseadas em diferentes métodos de modelagem climática (Alexsander Ferraz / AT) Uma equipe multidisciplinar de pesquisadores da Universidade Tecnológica de Nanyang (NTU) Singapura e da Universidade de Tecnologia de Delft (TU Delft), na Holanda, estimou que, caso as emissões globais de gás carbônico (CO₂) continuem aumentando e atinjam um cenário de alta emissão, o nível do mar pode aumentar entre 0,5 e 1,9 metro até o ano de 2100. Isso tornaria o avanço do mar ainda mais preocupante na Baixada Santista, no restante do litoral de São Paulo e ao redor do mundo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O valor máximo dessa estimativa supera em 90 centímetros a previsão mais recente das Nações Unidas, que aponta uma elevação entre 0,6 e 1,0 metro. A estimativa considerada ‘muito provável’ — com 90% de chance de se concretizar — divulgada por pesquisadores da NTU no periódico científico Earth’s Future, vem para complementar as projeções sobre a elevação do nível do mar feitas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas. O IPCC, até então, havia trabalhado com uma faixa chamada de "provável", que representa 66% de probabilidade. Atualmente, as previsões sobre o aumento do nível do mar são baseadas em diferentes métodos de modelagem climática. Alguns deles consideram processos bem compreendidos, como o derretimento de geleiras, enquanto outros envolvem fenômenos com maior grau de incerteza, como o colapso súbito de plataformas de gelo. Por causa disso, as projeções podem variar significativamente, dificultando a obtenção de estimativas exatas sobre elevações extremas do nível do mar. Para enfrentar esse desafio e reduzir as incertezas das projeções atuais, os cientistas da NTU desenvolveram um novo método de previsão mais avançado, chamado de abordagem por ‘fusão’. Esse modelo combina o que há de melhor nas simulações existentes com avaliações de especialistas, proporcionando uma estimativa mais clara e precisa da elevação futura dos oceanos. Os pesquisadores acreditam que esse novo método supre uma lacuna importante na produção de informações confiáveis, servindo como complemento ao relatório mais recente do IPCC.