A Guiana, vizinha do Brasil e com pouco mais de 800 mil habitantes, conseguiu um feito que chama atenção do mundo (Divulgação) Em tempos de crises globais, mudanças climáticas e insegurança alimentar, a autossuficiência agrícola se tornou um objetivo difícil para a maioria dos países. Mas a Guiana, vizinha do Brasil e com pouco mais de 800 mil habitantes, conseguiu um feito que chama atenção do mundo: ela produz 100% dos alimentos que consome internamente. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), a Guiana é hoje o único país do planeta com esse nível de independência alimentar. Isso significa que arroz, frutas, vegetais, carne, peixes e até óleos vegetais são produzidos em território nacional, sem necessidade de importação em larga escala. O solo fértil, a abundância de água e as políticas agrícolas voltadas para o consumo interno têm sido fatores decisivos nesse cenário. A agricultura representa cerca de 20% do PIB do país, com destaque para a produção de arroz e cana-de-açúcar, além de uma crescente expansão da piscicultura e da horticultura. Além da capacidade produtiva, a densidade populacional relativamente baixa da Guiana contribui para esse equilíbrio. Diferente de países com grandes centros urbanos e consumo elevado, a Guiana consegue manter uma produção compatível com a demanda interna. Exemplo para o mundo? Especialistas afirmam que a autossuficiência alimentar da Guiana é um exemplo importante em um contexto global marcado por conflitos, inflação de alimentos e riscos climáticos. No entanto, também alertam que a autossuficiência não significa imunidade: eventos extremos, como secas prolongadas ou pragas, ainda podem afetar a produção. Outro ponto que chama a atenção é o crescimento do interesse de investidores estrangeiros no setor agrícola da Guiana. Com terras ainda pouco exploradas e clima favorável, o país pode se tornar, em breve, um player relevante na exportação de alimentos — caso decida ampliar sua produção. E o Brasil? Apesar de ser um dos maiores produtores de alimentos do mundo, o Brasil ainda depende de importações em alguns segmentos, como trigo e frutas específicas, além de enfrentar problemas estruturais de distribuição e insegurança alimentar em áreas mais vulneráveis.