[[legacy_image_14193]] Comemorado neste 8 de março, o Dia Internacional da Mulher é uma data histórica. E se hoje o dia é lembrado como um pedido de equidade de gênero, e com protestos ao redor do mundo, no passado, nasceu principalmente de uma raiz trabalhista. Foram as mulheres das fábricas nos Estados Unidos e em alguns países da Europa que começaram uma campanha dentro do movimento socialista para reivindicar seus direitos. Diná Ferreira Oliveira, coordenadora de Políticas para a Mulher - COMULHER e vice-presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher – COMMULHER conta que a data é importante porque marca um momento de reflexão sobre as conquistas e desafios na questão da igualdade de direitos e oportunidades. Ela afirma que, no Brasil, a data também é "comemorada" com protestos em todas as principais cidades do país, com reivindicações sobre igualdade salarial e protestos contra a criminalização do aborto e a violência contra a mulher. “Certamente, o 8 de Março é um dia de luta, dia para lembrarmos que ainda há muitos problemas a serem resolvidos”, afirmou. Violência Segundo levantamento sobre violência contra a mulher na região, a agressão mais registrada foi a violência verbal (insulto ou humilhação), com 21,8% das ocorrências. Empurrões e chutes apareceram com 9%, e violações sexuais (toques ou agressões físicas por razões sexuais) tiveram um total semelhante de relatos (8,9%). Na sequência, há ameaças com facas ou armas de fogo (3,9% dos casos) e espancamento ou tentativa de estrangulamento (3,6%). Dentre as agredidas, 76,4% disseram que conheciam quem as violentou – um crescimento de 25% em relação à mesma pesquisa feita em 2017. Entre esses conhecidos, 23,8% eram cônjuges/companheiros/namorados; 21,1% vizinhos; 15,2% ex-cônjuges/ex-companheiros/ex-namorados; 7,2% pai ou mãe e 6,3% amigos. Políticas públicas Segundo Dina, a Coordenadoria de Políticas para a Mulher tem como competência a formulação, articulação e avaliação das diretrizes e políticas de defesa dos direitos da mulher, participa e organiza palestras, cursos, reuniões, encontros, seminários e outros eventos para promoção dos direitos da mulheres. [[legacy_image_14194]] Para a vice-presidente, a mulher deve sempre ficar atenta aos primeiros sinais, como controle do celular, ciúme excessivo, agressões verbais, cerceia amigos, privar a mulher de trabalhar e estudar, controlar as finanças e humilhar na frente dos outros. “A violência é um processo, e a mulher deve sempre interromper para evitar piores consequências. Deve sempre procurar ajuda e acreditar que ela pode e merece uma vida sem violência”, finalizou. Segundo Júlia Cabral Cardoso, de 23 anos, jornalista e ativista feminista, o Dia Internacional da Mulher é excepcionalmente importante para podermos lembrar o verdadeiro significado do feminismo, que é uma luta de emancipação. Luta “O feminismo, além de lutar pelas mulheres [esse é o foco principal], luta também por meio de outras libertações. Nós não queremos que uma classe seja detentora do poder, nem a feminina nem a masculina, nem a rica nem a pobre, nem a branca nem a negra. Nós queremos uma sociedade horizontal, sem nenhum tipo de poder”, relatou. Para ela, as mulheres precisam de tratamento humano e uma rede de apoio fornecida pelo estado. “Precisamos ouvir mais as mulheres, ouvir mais as mães. Então, proporcionar para elas uma possibilidade de entrar no mercado de trabalho, e viver uma vida sem uma jornada dupla ou tripla”, relatou. [[legacy_image_14195]] Júlia afirma que não é possível apagar todos esses milhares de anos de exploração que mulheres e outras classes marginalizadas sofreram. Então, o objetivo é destruir esse sistema que é completamente nocivo para mulheres, e criar uma nova sociedade inteiramente e socialmente justa, mas diferente nas questões de personalidade e pluralidade de pessoas. “A sociedade pode ajudar, e muito, promovendo debates e dando voz para as mulheres, a quem realmente sofreu com esse processo. Nós, mulheres e homens, também passamos por um processo cultural que impõe regras e normas que nós devemos cumprir. Então, eu acho que, dando voz para as mulheres, isso já é um bom começo, e sempre se questionar”, finalizou.