[[legacy_image_10034]] O governo venezuelano fechou o cerco contra o parlamento oposicionista, após um motim militar fracassado contra Nicolás Maduro, com a prisão de seu vice-presidente e forçando três deputados a pedirem asilo em sedes diplomática, uma ofensiva internacionalmente condenada. Acusado, como outros nove colegas, de apoiar a rebelião em 30 de abril, o vice-presidente do Parlamento, Edgar Zambrano, foi preso na noite da última quarta-feira (8) em uma operação cinematográfica, exibida nas redes sociais e narrada no Twitter pelo próprio legislador. Agentes do serviço de Inteligência chegaram com armas pesadas em um grande comboio e interceptaram Zambrano em seu veículo 4x4 em frente à sede do partido. O legislador se recusou a descer do carro e foi necessário um reboque para levar o automóvel. Patrulhas cortaram as ruas para permitir a rápida passagem do reboque, que transportou o veículo até o Helicoide, o temido quartel-general do serviço de Inteligência (Sebin). Outros três deputados se refugiaram em sedes diplomáticas para evitar sua prisão pelo motim liderado Guaidó. Richard Blanco está na residência do embaixador da Argentina e Mariela Magallanes e Américo De Grazia, na do embaixador da Itália. Este último anunciou sua decisão na quinta-feira (9) no Twitter: “Não darei o gosto à narcoditadura de que me exiba como troféu e me use como refém”. “Se podemos falar em golpe de Estado na Venezuela, aqui está: o desmonte do parlamento nacional”, disse Guaidó em uma entrevista coletiva na qual afirmou que Maduro utiliza “terrorismo de Estado” para fazer crer que controla o país”. “Não vamos parar, vamos com as ruas. Este é um processo que termina com a liberdade da Venezuela”, advertiu, convocando um novo protesto nacional amanhã. Libertação 'imediata' A ofensiva gerou uma forte condenação dos países que apoiam Guaidó. “A detenção arbitrária [de Zambrano] é ilegal e indesculpável. Maduro e seus cúmplices são diretamente responsáveis pela segurança de Zambrano. Se ele não for libertado imediatamente, haverá consequências”, alertaram os Estados Unidos na conta do Twitter de sua embaixada em Caracas. O Grupo Lima – de 12 países americanos que reconhecem Guaidó, inclusive o Brasil – também repudiou “a decisão da Assembleia Nacional Constituinte ilegítima de violar arbitrariamente a imunidade parlamentar dos deputados da legítima Assembleia Nacional”. O chanceler venezuelano, Jorge Arreaza, disse na quinta-feira (9) que “os governos que se solidarizam com os golpistas se tornam cúmplices do levante militar inconstitucional”.