Segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, o Brasil tem 2% do PIB do mundo: há necessidade de atender demanda internacional (Alexsander Ferraz/Arquivo AT) Historicamente marcado por uma pauta exportadora de commodities e produtos primários, o Brasil tem como desafio agregar mais valor na cadeia e promover a exportação de produtos industrializados. É a análise do especialista em logística Lúcio Lage Rodrigues, que também é diretor da Process Log & Comex. “A agroindústria tem um papel relevante, possibilitando a exportação de produtos processados, como carne embalada e açúcar refinado”, acrescenta. Recentemente, o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, disse que o Brasil precisa ter pressa para aumentar sua inserção nos mercados internacionais. “O Brasil tem 2% do PIB do mundo, 98% do comércio está fora do Brasil. Então, nós precisamos correr para fazer, para exportar mais, para poder vender melhor os produtos brasileiros”, declarou Alckmin, ao discursar no encerramento de premiação concedida a empresas exportadoras pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em parceria com a revista Exame. Marketing internacional Dentre algumas ações feitas pelas indústrias nesse sentido, lembra o especialista em logística, é possível citar o investimento em marketing internacional para que produtos e marcas sejam mundialmente conhecidos. Outra ação é o investimento em inovação e sustentabilidade, trazendo diferenciais para os produtos brasileiros e atendendo cada vez mais as demandas internacionais por iniciativas pautadas em uma visão ESG (em português, ambiental, social e governança)”, completa Rodrigues. Artigos agroindustriais têm papel destacado O papel relevante da agroindústria dentre os produtos exportados pelo Brasil é reforçado pelo especialista em logística Lúcio Lage Rodrigues. Estão nisso as carnes embaladas e os sucos, em especial o de laranja processado. Também no setor, também há outras bebidas presentes com importância. “Ainda na agroindústria, o mercado de bebidas alcoólicas vem se destacando, com a exportação e cachaça e vinhos brasileiros”, afirma o também diretor da Process Log & Comex. Dentre os produtos manufaturados e semimanufaturados, o profissional cita o aço e produtos siderúrgicos, papel e celulose, produtos químicos (agroquímicos, resinas plásticas) e automóveis e componentes. “Outros setores podem ser mencionados, como o de máquinas e equipamentos, aeronaves com a Embraer”, completa Rodrigues. País possui problemas para serem resolvidos Os desafios para a exportação dos produtos brasileiros de modo a que sejam competitivos no mercado global atrapalham bastante para que essa cadeia de valor seja formada, na visão de Lúcio Lage Rodrigues. Os problemas já começam na limitação na infraestrutura logística. “Ela dificulta a competitividade dos produtos, com portos sobrecarregados e baixa eficiência operacional, além de burocracias que resultam em atrasos no processo de embarque de mercadorias”, analisa o profissional. Atrelado a isso, está a enorme dependência da malha rodoviária, muitas vezes em péssimas condições, observa Rodrigues, o que aumenta o tempo de transporte e gera custos. “As ferrovias e hidrovias são muito pouco aproveitadas, o que ocasiona perda de eficiência na cadeia logística”, afirma. Carga tributária e medidas Outro ponto lembrado pelo especialista em logística que dificulta a competitividade dos produtos brasileiros lá fora reside na alta carga tributária. “Por mais que no processo de exportação haja a isenção de vários impostos, durante a cadeia ocorre a incidência de vários tributos cumulativos que encarecem os produtos”, complementa. Vale recordar que o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, aproveitou, também em premiação recente concedida a empresas exportadoras, para listar as medidas lançadas pelo Governo Federal em prol da competitividade dos artigos brasileiros no exterior. Dentre as iniciativas mais importantes, está a restituição de impostos pagos por pequenos exportadores. Trata-se de uma medida de transição até a reforma tributária acabar com o acúmulo de créditos tributários não compensados. Lideranças políticas podem criar ambiente fértil O especialista em logística Lúcio Lage Rodrigues acredita que, se as lideranças políticas direcionam suas atenções e ações para a pauta de desenvolvimento industrial, a tendência e se criar um ambiente frutífero para que as empresas se desenvolvam. Tanto o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, quanto o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) sempre se mostraram defensores ferrenhos da reindustrialização, o que naturalmente pode ser útil para o setor. “A reindustrialização estimula as empresas a adotarem tecnologias de ponta, processos digitais, automações, gerando eficiência para a indústria nacional comparada a mercado global. Como medidas para esse estímulo, há políticas de redução de impostos para atividades que envolvem essa área, políticas de promoção de estímulo ao empreendedorismo na área industrial, e também ações de promoção dos nossos produtos industrializados no exterior”, argumenta Rodrigues. O profissional recomenda que o Governo Federal deve intensificar o apoio a projetos de internacionalização promovidos pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Confederação Nacional da Indústria (CNI) e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). “E, sem dúvida, o Governo tem que investir em infraestrutura, dando mais competitividade aos produtos brasileiros e fortalecendo a indústria nacional”, completa.