[[legacy_image_4053]] O som de panelas ecoou em várias zonas de Caracas, em protesto contra os consecutivos apagões na Venezuela desde 7 de março, levando milhões de venezuelanos à angústia e ao desespero. “Novamente um apagão nacional está afetando nossa qualidade de vida, não temos água, não temos luz, não temos internet, não temos telefones, estamos incomunicados, chegamos à pior situação que podíamos imaginar”, disse Joaquín Rodríguez, advogado que participou de um protesto em Los Palos Grandes, zona abastada de Caracas. Em alguns setores da capital os protestos foram reprimidos por coletivos, como são conhecidos os civis armados chavistas que foram autorizados pelo presidente Nicolás Maduro a conter as manifestações. “Há forte repressão de coletivos encapuzados com armas disparando contra a população”, afirmou um habitante de Cotiza, um setor popular de Caracas onde foram registradas manifestações espontâneas contra os apagões. Mauricio Marcano, comerciante, também denunciou a presença de coletivos armados que reprimiam protestos no centro de Caracas, onde policiais bloquearam algumas ruas para contê-los. Depois que um novo apagão afetou a capital e vários estados na noite de sábado, o ministro da Comunicação, Jorge Rodríguez, reiterou que se tratava de outra sabotagem. O governo “denuncia a infame e brutal perpetração de dois ataques programados e sincronizados contra o sistema elétrico nacional para obstruir de forma criminosa e homicida os imensos esforços do governo (...) para estabilizar o serviço de energia elétrica”, afirmou à televisão governamental. As interrupções elétricas completavam vários dias neste domingo em estados como Zulia, severamente afetado há uma década por racionamentos.