[[legacy_image_322997]] De pequenos a grandes propósitos, estabelecer metas para um novo ano que se inicia sempre foi uma tradição. Mas afinal, por que é tão difícil dar o primeiro passo para a realização de uma meta? Psicólogos respondem que o desejo de mudança sempre vem acompanhado do temor do novo, e esse misto de euforia e medo pode se transformar em ansiedade. Com a chegada de 2024, esse processo se repete e, para que não se deixem os objetivos de lado logo nos primeiros dias do ano, especialistas dão dicas. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! A psicóloga Jéssica Festa Tedesco explica que o medo pode ser sentido tanto com relação ao fracasso quanto ao sucesso. “Temos medo de ir adiante, mas também temos medo de ficar parados no mesmo lugar. O problema é que, às vezes, insistimos em permanecer onde já estamos, não porque não nos cause dor e desconforto — muitas vezes, causa, sim — porém, é algo já conhecido e estável.” Por isso, refletir sobre o medo do novo se torna um passo necessário para pôr as resoluções de Ano-Novo em prática, conforme a psicóloga. Independentemente do movimento, a vida é cíclica, e as mudanças acontecerão de qualquer forma. Por isso, ela orienta que o desejável é contribuir com a direção dessa mudança, mesmo sabendo que não se pode controlar tudo. Jéssica explica que a ansiedade pode causar estagnação, mas também pode servir para canalizar a energia acumulada e transformá-la em “primeiro passo para qualquer realização. Precisamos nos sentir potentes frente àquilo que temos medo, investir no nosso desejo, acreditar que somos capazes e nos sentir vivos. Sem isso, a prática não existe”, comenta. DicasDividir as metas em categorias de curto, médio e longo prazos é uma das dicas de Jéssica para ajudar a pôr os objetivos em prática. “Não devemos pensar somente no resultado, mas tentar imaginar o processo, traçar planos. Todo grande objetivo é feito de pequenos objetivos diários”, afirma. O psicólogo Alexandre Rojas de Lima também aconselha dividir metas, e sugere quatro fases: sonho, planejamento, execução e controle. “No início, devemos somente sonhar, para descobrir mais quem somos e o que nos faz bem. Depois, devemos começar a analisar as ações e as tarefas para otimizar o tempo e aumentar nossa eficácia. A terceira fase pede maiores esforços de foco e de concentração. A última etapa é de controle e análise, na qual “verificamos como foi a execução, corrigimos e redirecionamos, para recomeçar de novo o ciclo”. Manter o focoAlexandre de Lima observa que dar o primeiro passo é difícil porque a mente está projetada para repetir esquemas aprendidos. Sair da inercia significa mudar um sistema e aprender outros, novos e mais difíceis. Para ele, é o que pode gerar a procrastinação. O psicólogo explica que procrastinar significa adiar tarefas importantes até o último momento possível, como uma tendência inconsciente ao fracasso por medo do sucesso, de mudar, crescer e ou de assumir responsabilidades. “É um comportamento mais típico de quem é ansioso e pensa demais e quer fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Embora difícil, com um pouco de organização mental e foco fica mais claro quais tarefas precisamos priorizar e quais podemos evitar ou, até, não fazer”, discorre. Ele afirma que uma técnica indicada é começar sempre e finalizar a tarefa mais difícil e pesada. Outra dica é começar a primeira tarefa fechando os olhos, contar regressivamente de dez até um e focar unicamente nas ações, sem hesitar. “A nossa mente é poderosa em muitas coisas boas, mas pode também criar armadilhas perigosas de autoenganação, para uma autossabotagem. Por isso, precisamos de uma postura forte conosco mesmos.” Felicidade e metasJéssica Tedesco analisa que há tendência em romantizar objetivos, criando a ideia de que só se pode ser feliz depois de se alcançar determinada coisa. “Nem sempre nossas metas vão trazer felicidade avassaladora, e também teremos que lidar com alguns desafios ao longo do caminho, mas isso não significa que devamos desistir”, afirma. O sonho, no entanto, pode ser diferente da realidade, o que, por vezes, leva à procrastinação. Para driblar tudo isso, a psicóloga relata que é necessário alinhar a fantasia e a realidade e traçar os objetivos de forma fragmentada, para que não haja sentimento de impotência no caminho rumo à meta. A especialista acrescenta que alcançar um objetivo significa fazer escolhas e lidar com renúncias. “Precisamos trabalhar nossas emoções para lidar com o processo de perdas e ganhos que sempre vai existir quando iniciamos alguma mudança em nossas vidas.” Alexandre de Lima dá mais um conselho. “Acordar todos os dias como se fosse um ano novo e reservar um tempo só para isso, no qual possamos sonhar, ter visões, inspirações, escrever, meditar, fazer um pouco de exercícios e tudo aquilo que irá fortalecer e dar força aos nossos dias. Isso se chama cuidar do nosso desenvolvimento e de nós mesmos. Tem coisas que ninguém pode fazer no seu lugar, e uma delas é sonhar.”