[[legacy_image_96965]] O consumo do tabaco está entre os principais fatores de risco para inúmeras doenças e é um potencializador de enfermidades. O tabagismo é a principal causa de mortes evitáveis em todo o planeta. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo mata mais de 8 milhões de pessoas por ano no mundo. No Brasil, esse número chega a mais de 200 mil pessoas. Para lembrar a importância de evitar o consumo de tabaco, neste domingo (29) é celebrado o Dia Nacional de Combate ao Fumo. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! “Neste ano a data é extremamente importante. O isolamento social fez muita gente aumentar o consumo diário de cigarros. O que torna a situação dos tabagistas ainda mais preocupante”, explica o pneumologista da Fundação São Francisco Xavier, Dr. Roberto Tagliaferro, que atua no Hospital de Cubatão. Segundo um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em que foram ouvidas 45 mil pessoas, do total de entrevistados 12% eram consumidores de tabaco e 34% passaram a consumir mais cigarros por dia em isolamento social. O estudo também considera que esse aumento do tabagismo está associado à piora da qualidade do sono, ao isolamento dos familiares, à ansiedade e à depressão. “O tabaco causa diferentes tipos de inflamação no organismo, prejudicando os mecanismos de defesa e aumentando o risco de infecções por vírus, fungos e bactérias. E o pulmão é um dos órgãos mais afetados, por isso, os fumantes fazem parte do grupo de risco”, explica o pneumologista. AlertasA nicotina, princípio ativo do tabaco, atua no sistema nervoso central como a cocaína, heroína, álcool, mas com uma grande diferença: chega ao cérebro em apenas 7 a 19 segundos. Quando inalado, o monóxido de carbono atinge os pulmões e dali segue para o sangue, reduzindo a capacidade de carregar oxigênio. Além de ser responsável por mais de 90% dos casos de câncer de pulmão, o cigarro também está associado a cerca de 30% de outros tipos de câncer, entre eles de boca, faringe, laringe, esôfago. "Quem larga o cigarro, não está fazendo bem só a si mesmo, mas a todos que estão em volta”, ressalta o especialista. Cuidados com jovens e fumantes passivosA diretora técnica da UPA Zona Leste de Santos, Gisele Abud, alerta para o crescimento do uso de derivados do tabaco como cigarros eletrônicos e narguilés, principalmente por jovens. Segundo ela, é um grande equívoco achar que o cigarro eletrônico e o narguilé são menos nocivos, inclusive para fumantes passivos. “Muito pelo contrário, pois devido aos seus aromatizantes e sabores, ambos têm um apelo maior junto aos jovens e adolescentes, tornando-se uma porta de entrada para o tabagismo”. Além disso, o narguilé apresenta as mesmas substâncias do cigarro tradicional, como nicotina e alcatrão. Gisele reforça os riscos no uso desse tipo de cachimbo e como a saúde é atacada por ele. “Ele não possui filtro e emite uma grande quantidade de monóxido de carbono, cerca de 10 a 30 vezes mais que o cigarro tradicional; causa diminuição da capacidade de transporte de oxigênio pela hemoglobina e, ainda, o uso do narguilé em grupo pode acarretar contaminação, pois a biqueira é compartilhada por todos”. As substâncias também causam efeitos nas pessoas que não fumam, mas convivem com quem faz uso frequente. Assim que um cigarro é aceso, apenas parte da fumaça é tragada, enquanto a outra é lançada ao meio ambiente. “É nesse momento que o fumante passivo é afetado. Essa pessoa também pode desenvolver doenças relacionadas com o tabagismo”, explica a profissional. ServiçoAs policlínicas de Santos contam com grupos de combate ao tabagismo. As inscrições estão abertas permanentemente. Os interessados devem procurar a unidade mais próxima de casa. Quando há o início de um novo grupo, o morador é comunicado. O grupo de combate ao tabagismo é conduzido por equipe multidisciplinar, entre os quais médicos, enfermeiros, farmacêuticos, técnicos de enfermagem e agentes comunitários.