No dia 17 de março, o Dia de São Patrício é comemorado ao redor de todo o mundo, inclusive no Brasil, sendo o maior feriado da Irlanda. Mas, afinal, por que esse dia tem tanta relação com os irlandeses? Segundo registros, a data remete à morte do santo padroeiro da Ilha Esmeralda, que não era irlandês, diga-se de passagem. Acredita-se que Patrício tenha nascido em Gales e, de acordo com a lenda, aos 16 anos, foi raptado e mantido como escravo por piratas irlandeses. Seis anos depois, em um sonho, ele ouviu uma voz insistindo que tentasse escapar, e assim o fez. Ele conseguiu voltar para a casa e, a partir daí, começou a estudar para se tornar um padre. Contra todas as probabilidades, Patrício regressou à Irlanda como padre e passou o resto de sua vida como missionário do cristianismo no país, assim, se tornando o santo padroeiro tão associado aos irlandeses. E, embora nunca tenha sido oficialmente canonizado por um papa, ele figura na lista de santos da Igreja Católica. Foi somente em 1600 que o feriado foi adicionado ao calendário religioso católico e, 160 anos mais tarde, o primeiro desfile de São Patrício acontecia nos Estados Unidos – lembrando, para onde a maioria dos irlandeses emigraram no período da Grande Fome. A ideia da festa era celebrar o orgulho de ser irlandês, com música, dança, comida e muitas pints, claro. Atualmente, em Dublin, o Dia de São Patrício é um grande festival que começa uma semana antes da data de morte do padroeiro, com eventos diversos por todo o país. O objetivo é refletir sobre os méritos e conquistas do povo irlandês em estágios nacionais e mundiais, envolvendo todas as idades e classes sociais. A festa se espalha ao redor do globo com a cerimônia intitulada Greening, que colore de verde desde comércios até monumentos e pontos turísticos. Neste ano, no Brasil, o Cristo Redentor e o Teatro Amazonas estarão iluminados. Para quem vê de fora, o feriado é uma espécie de carnaval irlandês, já que envolve desfile, muita gente e bebida. Porém, cá entre nós, falta muito para chegar aos pés do nosso Carnaval. Para começar, o desfile em Dublin é bem simples: cada ano tem um tema (o desse ano é “contadores de história”), que inclui a participação de bandas marciais irlandesas e algumas estrangeiras, principalmente, bandas norte-americanas. Os carros alegóricos, se assim podemos chamar, são um tanto quanto rústicos, sem contar que não tem aquele “samba enredo” contextualizando a apresentação e, no fim, a compreensão da parada vai da interpretação de cada um. Em relação às bebidas, estas só podem ser consumidas nos pubs, já que é estritamente proibido consumir álcool nas ruas e, especificamente nesse feriado, a polícia fica bem rígida em relação a isso. Entretanto, a animação, a caracterização dos “foliões” e a quantidade de pessoas que vem para a Irlanda enfrentar o frio para acompanhar a festa são o ponto alto do evento. E como o ditado diria, “Deus não dá asas à cobra” – que aliás, segundo a lenda, foi São Patrício quem expulsou todas da ilha – Não é permitido beber nas ruas, mas o nível de sobriedade depois do desfile é praticamente nulo. Os pubs ficam lotados e a farra é, como eles diriam, “mental” (insana). Especialmente nessa data, haja Guinness por aqui e ao redor do mundo. (E se você não é muito fã de Guinness, procure pelas cervejas Smithwicks e Harp, ou pelas cidras Bulmers, Outcider e Orchard Thieves, todas irlandesas). E Happy Saint Paddy’s Day, bebam com moderação, e se beberem, não dirijam.