[[legacy_image_108545]] A Ambev (empresa de produção de bebidas) anunciou que vai aumentar os preços das cervejas vendidas aos comércios - o reajuste é estimado em 6% pelo setor. Diante dessa alta, a previsão é que o consumidor assuma parte do custo. À A Tribuna, as entidades representantes de bares e restaurantes informaram que os estabelecimentos têm sofrido com os sucessivos acréscimos em produtos considerados essenciais para o funcionamento dos comércios. Portanto, não terão como absorver mais estes valores. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Dona de marcas como Skol, Brahma, Antarctica, Bohemia e Stella Artois, a Ambev disse, em nota à Reportagem, fazer ajustes periódicos nos preços de seus produtos. "As mudanças variam de acordo com as regiões, marca, canal de venda e embalagem". A reportagem teve acesso a um documento enviado aos comerciantes clientes. Nele, a Ambev informa sobre o reajuste, ao mesmo tempo em que destaca o interesse de "manter e garantir a transparência nas relações e facilitar o planejamento operacional (dos comerciantes)". O texto indica, ainda, que as correções de preços estão previstas para este sábado (2). O presidente do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares da Baixada Santista e Vale do Ribeira (SinHoRes), Heitor Gonzalez, lamentou que o aumento ocorra em meio à retomada econômica do setor. "Infelizmente é uma sequência. A gasolina aumenta, a energia elétrica aumenta e o preços dos produtos dispararam. É mais um problema para o nosso segmento tentar resolver", diz Gonzalez. "Já lutamos com muitas dívidas acumuladas desde o início da pandemia", conta. O sindicato orienta os quase oito mil estabelecimentos que representa a tentar não repassar o reajuste de imediato. "Não queremos causar reviravolta na frequência de clientes. Mas num futuro próximo será inevitável", afirma Gonzalez. O presidente regional da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) no Estado, Joaquim Saraiva também lamenta o reajuste. Segundo ele, atualmente, por causa da pandemia, "37% do setor em São Paulo já atua no prejuízo". "A Ambev diz que acompanha inflação de doze meses. Em São Paulo, estamos esperando que este aumento seja de 6% nas cervejas". Dono do bar do Marco, no Macuco, em Santos, Marco Aurélio de Castro, sente os efeitos dos aumentos de preços em vários produtos. "Já trabalho com preços baixos e o movimento não está como o que era. Melhorou, realmente, (porque) estamos com portas abertas, mas não está igual ao que era antes da pandemia". Também dono de bares em Santos, Arthur Veloso afirma que sobreviver na pandemia "foi tarefa de super-herói". Responsável pelo Fit and Fun e pelo Augustinho Burger, ele lembra do período em que os estabelecimentos ficaram fechados e arcando com os custos. "Não tivemos nenhuma isenção de impostos ou tributos. Quem sobreviveu, se endividou ou vendeu algum bem para conseguir pagar todas as contas. Foi o momento mais difícil da minha vida". "Se repassamos o aumento ou uma parte dele, somos tidos como mercenários e podemos perder o cliente. Se não repassamos, não temos margem suficiente pra manter os negócios. Estamos pagando a conta da pandemia até hoje, e devemos continuar pagando por muito tempo. Não tem como absorver mais aumento de preço de nenhum lado", completa Veloso. Segundo o economista Jorge Manuel Ferreira, a inflação dos preços dos produtos é mais um reflexo da pandemia e tem sido o grande desafio para as principais economias do mundo. "Temos inflação de demanda por conta da escassez gerada pela paralisação abrupta de várias cadeias produtivas", explica.