'Acho que conseguimos quebrar várias barreiras interessantes', diz Mônica Salgado

Ex-diretora da revista Glamour largou carreira consolidada para seguir vida como influenciadora digital e palestrante

Por: Cláudia Duarte  -  07/02/19  -  16:29
Atualizado em 07/02/19 - 16:48

Formada em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, Mônica Salgado fez MBA em Marketing e entrou na revista Vogue em 2007, como editora de projetos especiais. Depois de dois anos, foi promovida a redatora-chefe e, em 2012, partiu para a Glamour, onde atuou por cinco anos como diretora. Mônica sabe tudo de moda, é muito bem relacionada e largou a vida pautada no jornalismo impresso em busca de desafios. Deu certo! Hoje, aos 39 anos, ela conquistou mais de 340 mil seguidores no Instagram, teve uma passagem pela TV Globo e faz muitas palestras pelo Brasil afora reunindo uma legião de fãs.


Mônica Salgado tem mais de 340 mil seguidores no Instagram
Mônica Salgado tem mais de 340 mil seguidores no Instagram   Foto: Divulgação

Valeu a pena o desafio de largar a sua carreira consolidada como diretora da revista Glamour e seguir sua vida como influenciadora digital e palestrante?


É sempre um desafio, porque desenvolvi um mindset (padrão mental) para trabalhar em equipe. Todo o meu processo criativo foi sempre coletivo. Mas também foi o encerramento de um ciclo positivo. Fiquei cinco anos na Glamour, peguei o auge das revistas. Chegamos a vender 200 mil exemplares. Mas comecei a sentir que o mercado estava tomando um outro rumo. A indústria se modificou velozmente. Tenho a sensação de que, em cinco anos, realizei absolutamente tudo o que eu queria à frente da revista. Viabilizei todas as ações que planejei e testei várias formas de fazer marketing. Ainda tivemos a vantagem de nascer multimídia, porque já tínhamos Instagram, Twitter e Facebook. Foi o primeiro título impresso nacional a começar dessa forma.


Acho que conseguimos quebrar várias barreiras interessantes. Transformamos a nossa equipe em influencers dentro das suas áreas de atuação. E isso foi algo bastante novo e desafiador. As pessoas não acreditavam nesse formato, achavam que comprometia a imparcialidade jornalística... Depois, saí por opção e fui para o mercado de palestras. Fiz muitas delas por todo o Brasil durante os dois últimos anos. Falei da minha trajetória e de como as redes sociais transformaram a moda e o mundo, tanto para o público em geral quanto para lojistas e franqueados de grandes marcas.


Como foi a experiência na TV à frente do quadro Selfie da Verdade, no Vídeo Show?


O trabalho no Vídeo Show foi algo que eu cavei, fui lá, ofereci e o projeto acabou sendo aprovado depois de alguns pilotos. Fiquei um ano e nove meses na TV Globo. Foi algo bem gostoso, leve e divertido. No quadro, conheci pessoas interessantes. Respirar aquele universo da tevê foi um aprendizado diário.


Fale um pouco sobre seus momentos de lazer, seus hobbies?


Hoje em dia, é tão difícil a gente manter isso. Mas, com a correria da vida, um dos meus hobbies é conseguir ficar em casa com a família e viver um pouco para dentro. A gente acaba vivendo muito para fora. É bom estar com as pessoas que conhecem de verdade nossos defeitos e qualidades, onde podemos ser quem somos de fato. Isso é algo libertador e que descansa a alma. Mas gosto muito de fazer ginástica, me exercito praticamente todos os dias.


Também sou apreciadora de um bom vinho. Amo ainda ler e escrever. Estou sempre com um livro debaixo do braço e viajo bastante em família. Os destinos agora acabam sendo pautados pelo meu filho, que está com 8 anos. Ah, e tenho aulas de bateria, que são minha terapia. Amo ouvir música no último volume, tocar, exercitar a concentração e o foco para não perder o ritmo.


Falando em terapia, você faz?


Vou ao psiquiatra. Comecei na época da Glamour, fase em que passei momentos bem difíceis, de muita dedicação ao trabalho e de grande pressão. Era uma carga enorme e eu comecei a ficar doente. Foi quando o médico me prescreveu ansiolítico e sigo tomando. Mas é algo que me incomoda profundamente. Quero entrar em um processo para reduzir a medicação até parar.


Qual o espaço na sua agenda que dedica aos cuidados pessoais?


Eu sou muito vaidosa (risos). Faço laser na pele, drenagem, vou ao cabeleireiro com frequência e malho bastante.


Tem algum projeto em andamento?


Tenho dois: um livro de ficção e fazer com que a coluna que escrevo sobre carreira na revista Marie Claire também se transforme em um livro.


Como é a sua vida em família?


Passei muito tempo sem participar do dia a dia do meu filho. Hoje, a vida mudou nesse sentido. A gente se conectou, consigo sentar com ele para fazer tarefas, almoçamos juntos, levo e vou buscar na escola. Que bênção eu poder viver isso, né? E eu e o Afonso (Nigro) estamos juntos há 20 anos. Conseguimos participar de todos os altos e baixos da vida um do outro, acompanhamos os melhores e os piores momentos. Ele me conheceu na faculdade, quando eu estava com 18 anos. Isso gera realmente um laço, uma cumplicidade rara e especial, posso dizer praticamente indestrutível. Mas estamos longe de sermos um casal perfeito! Temos as coisas que irritam um no outro, o que pega forte no relacionamento como todo mundo tem. Mas somos parceiros de vida. Somos sócios nessa jornada.


Logo A Tribuna