[[legacy_image_74025]] Ainda falta mais de um mês para o primeiro domingo de compromisso dos brasileiros com a Justiça Eleitoral. Mesmo assim, mesários de todas as cidades já estão sendo convocados para o trabalho que garante a organização do acesso às urnas. Assine A Tribuna agora mesmo por R\$ 1,90 e ganheGloboplaygrátis e dezenas de descontos! Em 2020, devido à forte campanha do Governo Federal (personificada pelo popular médico Dráuzio Varella), o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo registrou recorde de candidaturas voluntárias a mesários. Em São Vicente, a aposentada Vania Bernal, 53 anos, já se prepara para a quarta eleição como mesária na Escola Estadual Profª Zulmira de Almeida Lambert, no Jardim Independência. Habituada a observar a aglomeração nos dias de pleito, ela classifica sua maior preocupação com o respeito ao distanciamento social. “Precisam haver mais fiscais esse ano para fazer com que as pessoas respeitem o espaço nas filas. Ainda me cabe ‘agradecer’ porque a escola onde fico é grande e tem corredores largos. Mas e aquelas apertadas, onde todos se espremem?” Convocada ainda na primeira quinzena de setembro, Vania já recebeu acesso virtual ao material de orientação ao mesário em 2020. Nele, existe tópicos sobre reforço aos cuidados de autoproteção, uso correto da máscara, frequência do álcool gel e, quando possível, lavagem das mãos. Segundo declaração do ministro Luis Roberto Barroso, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), equipamentos de proteção como 1,8 milhões de escudos faciais (face shield) serão disponibilizadas ao grupo que trabalhar nos domingos de voto por todo o Brasil, além de 7,5 milhões de máscaras, número que garante troca por duas ou três vezes ao dia. Álcool gel também estará de fácil acesso nas escolas, com 1 milhão de litros para eleitores e 200ml por mesário. Mesmo assim, Vânia não pretende correr riscos. “Eu não vou ficar contando com o material deles, não. Eu vou levar meu álcool gel e toda vez que eu pegar ou entregar um documento, vou me higienizar de novo. Não sei como vai ficar minha mão no final do dia”, ri. “Quanto à máscara... Acho que a de tecido é pouco. Vou comprar aquela de acetato, que protege mais”. Relações sentimentais Saulo Nunes, 33 anos, trabalha em um terminal de exportação e já está na oitava eleição como mesário. Desde 2006, com maioridade recém atingida, ele é convocado para o posto na UME Lourdes Ortiz, na Aparecida, em Santos. “Aquele ano, confesso que fui amarrado. Estava desempregado, então não sabia nem se poderia usar o benefício da folga depois. Hoje em dia, até que gosto”, brinca. [[legacy_image_74026]] Com a experiência de vários anos, ele já vem ocupando a posição de presidente de mesa – responsável pelos 1º e 2º mesários. “É engraçado porque, mesmo morando em Santos, tem gente que só consigo ver no dia de votação. Se encontrar na rua uns dias antes, a gente fala ‘te vejo no domingo’”. Ex-aluno do período de primeira a quarta série na escola onde atua como mesário, Saulo conhece bem o espaço. “A entrada é espaçosa e a sala onde costumo ficar é no térreo. Ali, o fluxo é menor. O corredor, no entanto, é estreito. Então esse ano será um risco”. Devido ao emprego em terminais, Saulo já tem o próprio kit de proteção e pretende leva-lo nos domingos 15 e 29 de novembro. “São tantos meses usando que me acostumei. Lá na escola, não será diferente”. Para ele, os riscos de contágio pela Covid-19 serão grandes, mas nada que tire a concentração do momento. “É sempre uma responsabilidade, porque qualquer problema que surgir serei eu a resolver. Ainda não participei do treinamento, então não sei ao certo medidas específicas. Confesso que estou ansioso e curioso de como será”.