[[legacy_image_202001]] A cantora, musicista e compositora de MPB radicada em São Vicente, Maria Sil, acaba de lançar seu novo single, que marca uma nova fase na carreira da artista, Fôlego. A música é uma homenagem ao funk de letras políticas que dominou a Baixada Santista nos anos 2000 e é acompanhada de um vídeo no Youtube, com direção de Hugo Vicente. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Vestida nas cores da bandeira do Brasil, cantando versos fortes e diretos, Maria Sil homenageia sua mãe, Vani dos Santos, falecida em 2021 vítima de covid-19. O single é sobre saudades e ancestralidade, embalado pela produção musical do DJ Cuco, que produziu nomes como Felipe Boladão. Conhecida por suas letras melódicas com influências indie e da MPB, a artista trans retorna ativamente à cena musical em uma nova roupagem, com as batidas fortes do funk para marcar a retomada de uma cantora que estava há três anos longe dos palcos. “Em um processo de revolta, desmontando o quarto da minha mãe, mergulhei no funk produzido na Baixada Santista, que materializava minha raiva contra a situação que vivemos no País e no mundo. Se minha mãe tivesse tido acesso à vacina a tempo, ela talvez não tivesse falecido. O funk que eu ouvia trazia a energia que eu precisava para me reerguer. Fui tomada pela batida e letra de denúncia forte do estilo. Um dia, nasceu Fôlego e eu soube que era essa a música que eu precisava produzir com o Cuco”, afirma Maria Sil. Cuco é rapper e produtor musical formado em Gestão Pública, além de proprietário do Estúdio Bom Bando, cujo canal no YouTube conta com quase 50 mil inscritos. É também realizador do Festival Rap In City que acontece anualmente em Santos desde 2019. Seu trabalho musical é admirado e reconhecido por nomes como Mano Brown, Kondzilla, MC Marechal, entre outros. “Eu entendo que o funk feito nos anos 2000 na Baixada Santista denunciava se divertindo. Tem muito a ver com a capacidade do brasileiro de rir de si mesmo ou, citando Felipe Boladão, ‘nois leva a vida no sorriso mesmo passando sufoco’. Todo aquele extravasar, aquela catarse, vinham na mesma intensidade dos dramas e perrengues vividos nas periferias do Litoral Paulista”, comenta DJ Cuco, que é produtor da música e assina a composição com Maria Sil. Elogiada publicamente por Elza Soares e com música gravada em parceria com Socorro Lira durante a pandemia - Medo Azul, Maria agora mergulha por novas sonoridades, mantendo a sofisticação de suas composições, uma característica que aprendeu com sua mãe, uma poeta negra nascida na periferia rural do estado de São Paulo. O single, inclusive, faz referência ao primeiro livro de Vani dos Santos, ainda inédito e que reunirá sua produção ao longo de 40 anos, Da vida só tenho o fôlego. A sofisticação na composição está presente em Fôlego, que para além de se inserir no jogo de disputa de poder dos gêneros musicais que contextualiza o funk também demarca o atual conflito político no Brasil. “E não há perdão / A quem deu a mão / A um homem sem coração”, canta Maria, que ressalta que não sucumbiu às sombras: “O amor é a minha revolução”. Trata-se de uma música justamente de esperança, marcada pela energia sonora revitalizante do funk e que advoga pelo amor como estratégia para uma nova fase do País, que seja marcada pela equidade e respeito a todas as pessoas. Fôlego está disponível nas principais plataformas de streaming, através do link.