[[legacy_image_165395]] Perfumadas, sorridentes, jovens e entusiasmadas. Assim são as crianças nos jardins da vida. Mas quando surge um jardineiro com intenções diferentes de cuidar e proteger essas flores, elas vão se desbotando, descolorindo e despetalando. O livro infantojuvenil do escritor e educador Paulo Mauá, A Rosa Cor-de-Boto, é um alerta à violência infantil em forma de poesia. “O livro conta a história de um jardim cuidado por um jardineiro e o que pode acontecer se as flores forem ‘mal cuidadas” pelas pessoas responsáveis pelo jardim. Baseado no cinza da triste flor transformada por ações de pessoas que dizem estar com boas intenções, veio-me a ideia do boto, depois boto cor-de-rosa e resolvi trabalhar com as palavras e criar o título da Rosa Cor-de-Boto”, explica o escritor. Após assistir uma reportagem sobre um tio que abusava e mantinha a sobrinha de 8 anos em cárcere privado, Mauá ficou horrorizado. “Sou pai de duas meninas e, de imediato, uma amiga me ligou, mãe também de meninas, e assídua leitora dos meus livros. Ela perguntou se eu havia visto a reportagem e propôs patrocinar um livro que tratasse do assunto. Na hora aceitei”, conta. Causas para o público infantilO autor já tem vários livros voltados ao público infantojuvenil que trazem assuntos a serem discutíveis em sala de aula ou em casa, como a relação familiar, autismo, bullying, a preservação da Amazônia e dos povos indígenas. “Esta estória não queria ser contada, mas precisa”. É com essa frase que o escritor e educador dá início ao livro. “Contar uma história de violência infantil é uma história que ninguém quer escrever, mas se faz necessário. Se faz presente no dia a dia de tantos lares e não podemos ser omissos”, afirma Mauá. A palavra “estória” utilizada pelo autor já não é mais a forma correta de se referir às narrativas populares ou tradicionais não verdadeiras, de acordo com a Academia Brasileira de Letras. Mas não se trata de um erro ortográfico: a escrita arcaica de Mauá foi proposital. “No caso de A Rosa Cor-de-Boto, a ‘estória’ que não queria ser contada realmente pode ser uma triste ‘história’ de vida. Por isso que o texto do livro, a palavra ‘história’ entra corretamente em termos gramaticais”, explica. AlertaO livro é um sinal de alerta aos pais ou responsáveis e um incentivo à denúncias de crianças vítimas de violência e abusos. “Ao final do livro fiz questão de colocar uma nota do autor sobre a necessidade da denúncia e que a omissão também é crime, além do logo do disque denúncia com o telefone e dois parágrafos dos capítulos do Estatuto da Criança e do Adolescente que tratam do direito à vida, à liberdade, ao respeito e à dignidade”, diz o escritor. Paulo Mauá, de 60 anos, já ganhou diversos prêmios com contos, crônicas e poesias. Atualmente, é vice-presidente da União Brasileira de Escritores (UBE), que luta pela democracia, pela Cultura e pela Literatura no Brasil. A Rosa Cor-de-Boto, sua mais nova obra infantojuvenil, será lançada hoje, às 15 horas, na Prefeitura de Santos (Praça Mauá) e estará à venda no local do lançamento e no site da Estante Virtual.