[[legacy_image_158574]] Juventude. Tempo de fazer acontecer, independentemente das dificuldades. A cada dia que passa, a geração que está apenas começando no mercado de trabalho demonstra a força de vontade e a insistência necessárias para fazer o que acredita. E na arte também é assim. ‘Isso não vai dar certo’, ‘Você ainda é muito novo’, ‘Quando você crescer vai entender’ são algumas frases que jovens dispostos a apresentar ao mundo seus talentos ouvem, tanto de pessoas mais experientes quanto de colegas da mesma faixa etária. Apesar das dificuldades, Isabella e Victor, de 19 e 18 anos, respectivamente, mostram que acreditar no trabalho do jovem e no seu potencial vale a pena. Ele comanda a própria trupe teatral; ela acaba de lançar um livro. Poesias e revolução Nascida e criada em Santos, Isabella Gemignani, de 19 anos, é estudante de Jornalismo e autora do livro de poesias O Mundo em Chamas do Parapeito. “Um dia, eu li Bukowski, ‘Você fica tão sozinho às vezes, que até faz sentido’, e mudou completamente minha vida. Ver o que eu sentia ali escrito naquela simplicidade foi muito reconfortante. Acredito que minha maior meta hoje é passar isso adiante”, explica. Ela acredita que a juventude de hoje tem muito a oferecer e um enorme poder de revolução. “Nossa geração tem uma força criativa muito grande e a vontade de querer fazer tudo diferente das gerações passadas é ainda maior”. Isabella nunca teve O Mundo em Chamas do Parapeito em mente. A escrita era apenas uma companhia que usava para entender melhor o que sentia. E foi pelo bloco de notas do celular que escreveu e decidiu juntar todos os poemas com influências de Carlos Drummond de Andrade, Charles Bukowski e Patti Smith. A estudante do terceiro ano de Jornalismo buscou em sua obra a ideia de que a poesia não precisa ser algo que contempla palavras difíceis. “Quero trazer algo simples e fazer com que cada um coloque o seu significado ali. Que alguém leia o que escrevi, se identifique e se sinta acolhido”. Isabella acredita que o apoio das pessoas aos projetos dos jovens é essencial. “O maior desafio do jovem é a falta de incentivo. Vivemos num país que cada vez reduz mais o suporte e investimento em cultura. Isso faz com que a prática de pequenos e jovens artistas se torne insustentável. É necessário valorizar o trabalho dos jovens e nossos projetos independentes”. O Mundo em Chamas do Parapeito está disponível no site da Editora Penalux, Amazon, e Submarino. [[legacy_image_158575]] Teatro e força de vontade “Desde muito novo eu fazia muita palhaçada. Nas festas, eu não queria ficar brincando com meus amigos, eu queria animar”, afirma o jovem Victor Lazzari, de 18, que já possui sua própria companhia teatral. Seu trabalho como diretor começou com um monólogo que apresentou em 2019. “Fiz um monólogo de comédia e não convidei ninguém para dirigir. Eu mesmo escrevi o roteiro, me dirigi e atuei. O monólogo tem 1h30, muita interação com o público e um certo improviso, de que gosto muito”, explica. No início de 2020, ele juntou um grupo de jovens que queriam fazer acontecer. Assim nasceu a Cia. Lazzari. “É muita força de vontade que vem da gente, porque é uma companhia independente, sem patrocínio. Mas sempre estamos criando”. Lazzari sente que as pessoas têm um certo preconceito por ele ser tão jovem e estar trabalhando atuando e dirigindo peças igual a um adulto já experiente. “Já ouvi muitas pessoas criticando antes mesmo de assistirem a uma peça nossa e, logo depois, de assistir comentam que estava muito boa e profissional”. Ele acredita que o jovem tem muito a oferecer para a arte. “Sempre busco correr atrás das coisas. Alugar um teatro, buscar um patrocínio e ter força de vontade para juntar um grupo para, finalmente, poder apresentar. Ninguém vai te ligar durante o café da manhã e te chamar para atuar numa super produção. Um convite para um musical da Broadway não cai do céu”, brinca o jovem diretor.