[[legacy_image_260523]] Ao menos quatro pessoas morreram após um incêndio atingir o Instituto de Caridade Lar Paulo de Tarso, na zona sul do Recife (PE), na madrugada da última sexta-feira (14). Outras 13 pessoas ficaram feridas. O abrigo, que funciona há 30 anos, acolhe crianças de 2 a 11 anos e adolescentes em situação de risco social. Oito crianças e adolescentes foram internados no Hospital da Restauração. Quase todos estão com queimaduras na pele. Outras cinco pessoas – quatro crianças e um adulto – ficaram sob cuidados do Hospital Geral de Areias. "A situação das crianças socorridas ainda é muito grave, por causa da inalação da fumaça que entra na corrente sanguínea e provoca danos muito rapidamente. Algumas tiveram de ser entubadas", disse o major do Corpo de Bombeiros Militar de Pernambuco e supervisor de operações, Lamartine Melo. Segundo o médico Petrus Andrade, diretor-geral do Hospital da Restauração, o quadro clínico que as vítimas apresentam com maior gravidade é o de inalação de fumaça. Abalado, Gezler Carlos, diretor administrativo do instituto de caridade, lamentou a morte de três crianças e da cuidadora Margareth da Silva, de 62 anos. O filho de Margareth, Adjair da Silva, lembrou a paixão da mãe pelo trabalho. "Ela amava essas crianças, sempre pedia para rezarmos por elas. “ Testemunha O barbeiro Flávio Santos, de 34 anos, mora em uma rua próxima ao Lar Paulo de Tarso e chegou ao local pouco depois das 3h da madrugada, horário que o os vizinhos perceberam as chamas e acionaram o Corpo de Bombeiros. Junto a outros sete homens, ele forçou as grades na tentativa de abrir caminho para o socorro às vítimas. "Minha esposa me acordou chorando muito porque ouviu os gritos das crianças que estavam presas e das pessoas na rua. Eu saí correndo do jeito que estava. Todo mundo tentou ajudar. Pegamos barras de ferro, martelos, tudo o que a gente podia para arrombar as grades. Tentei subir pelo telhado para ver se conseguia pular tirando as telhas, mas estava muito quente e acabei queimando as mãos e os pés. Foi um desespero muito grande ouvir as crianças gritando. Tenho um filho de 4 anos e só pensava nele", contou. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a ocorrência foi registrada às 4h20, quando a corporação foi acionada para atendimento no local. "Foram enviadas 12 viaturas com equipes de resgate, incêndio e salvamento para prestar socorro", disse em nota. A criminalística apura as causas.