[[legacy_image_154255]] “O filme começou naquele dia, quando o gato preto ficou me seguindo”. Foi em meados de 2013 que uma visita ao Cemitério do Paquetá rendeu ao cineasta Dino Menezes não só uma companhia, mas também um curta de terror. O gato preto, que logo se tornaria o protagonista do conto e animação O Gato Fantasma do Cemitério do Paquetá, ficou guardado nas lentes da câmera fotográfica de Menezes até, finalmente, se tornar arte em 2018. “Antes mesmo de pensar em escrever terror fui uma vez ao Cemitério do Paquetá e tinha muitos gatos. Tirei foto desse gato que ficou me seguindo e guardei. Depois, em 2018, usei a foto para fazer a história e consegui realizar meu sonho de juntar, finalmente, o cinema com esse conto”, explica o diretor e roteirista da animação. A produção independente da Dino Filmes é baseada num dos treze contos publicados no livro Contos de Terror e Lendas Macabras da Ilha de Santos, que Menezes lançou em 2021. “O objetivo é que seja a primeira de uma série, baseada no livro. Mas como o custo de trabalhos como esse é muito elevado, espero que o bichano continue me dando sorte, e que mais recursos públicos sejam aplicados no audiovisual santista”, torce o cineasta. Na calada da noite Durante os sete meses de trabalho, a equipe de trabalho formada por Menezes, pelo co-diretor Fábio Teófilo, o animador Renan Feliciano, os narradores, Natanael Gomes Alencar e Miriam Vieira, os ilustradores, Bruno Nicodemos e Vinícius Ribeiro Silva se reunia remotamente e de madrugada. “Ou seja, na calada da noite, bem no espírito do conto”, sorri o diretor. O curta animado de um pouco mais de cinco minutos foi narrado em português e também com legendas em espanhol e inglês. O Gato Fantasma do Cemitério do Paquetá está sendo distribuído para vários países, incluindo Ucrânia, Rússia, Estados Unidos e Cuba. “O filme já foi inscrito em cerca de 100 festivais ao redor do mundo e pretendemos lançar no Curta Santos em novembro”, conta Menezes. “Os amantes do terror podem esperar uma produção brasileira, regional, com músicas brasileiras. É uma valorização da cultura santista. Estarmos levando ao mundo a história da nossa região, a história desse gato”, afirma o diretor, que trabalha com cinema há 23 anos. Ele também conta que foi influenciado por produções de terror brasileiras, como as de Zé do Caixão. “Poder contar a história de nossa terra é muito divertido”. Em todas as etapas Dino Menezes já tinha em mente exatamente o que pretendia e fez questão de ficar à frente do roteiro, da direção e participar ativamente de todas as etapas da criação. “Usei como referência várias coisas de que gosto, como aquela atmosfera de trem fantasma do interior. O objetivo era ter um terror vintage, com ilustrações bem artesanais”, explica.