Alerta de terremoto foi enviado pelo Google na madrugada desta sexta-feira (14) (Reprodução) Imagine o seguinte cenário: você está dormindo quando, por volta das 2h20, o seu celular começa a soar um alarme. Quando você olha a tela, vê que se trata de um alerta de terremoto no mar do litoral de São Paulo com magnitude entre 4,4 e 5,5 na escala Richter. A situação inusitada aconteceu na madrugada da última sexta-feira (14) e se tornou um dos mais comentados no X, antigo Twitter. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! É claro que tudo não passou de um alarme falso, já que o Brasil está localizado no centro da placa tectônica Sul-Americana, o que torna as possibilidades de haver um terremoto no país quase impossíveis. Após a confusão, o Google desativou o sistema de alerta de terremoto em todo o país e pediu desculpas aos usuários do sistema operacional Android, afetado pelo erro. Mas, o episódio levantou uma curiosidade: como ocorreu esse erro no sistema de alerta e quais as reais chances do Brasil ser atingido por um terremoto? Segundo Luis Felipe Valle, professor de geografia e atualidades do Colégio Oficina do Estudante, elas são bem baixas, mas não é impossível que se sinta os tremores por aqui. Isso porque o limite da placa Sul-Americana, onde costumam ocorrer as instabilidades geológicas, está próximo da Cordilheira dos Andes. Países como Chile e o sul da Argentina, na região da Patagônia, são constantemente afetados por tremores. “A maioria do Brasil está longe dessas áreas e por isso os terremotos aqui são muito raros, mas podem ocorrer. Geralmente são ecos dos tremores na Cordilheira que vão perdendo força e podem ser sentidos aqui, porém numa intensidade mais baixa”, explica Valle. A distância entre a Cordilheira dos Andes e o Brasil torna esses eventos bem incomuns. Na escala Richter, os tremores abaixo de 5 costumam passar despercebidos. São justamente esses que afetam o Brasil. É raro, mas já aconteceu: em julho do ano passado, moradores da Praia Grande sentiram os tremores de um terremoto que aconteceu no Chile. O professor explica que essa seria a maior preocupação da Baixada Santista. Além disso, Santos tem uma região recoberta por terrenos sedimentares e arenosos, o que explica os famosos edifícios tortos. “A movimentação desse terreno sedimentar, dessa camada mais arenosa pode provocar movimentos que se parecem com terremotos, mas, reforço, não são terremotos, devido à origem desse tremor, dessa perturbação”, explica Valle. Outra possibilidade ainda mais rara é caso ocorra um terremoto de grande magnitude no meio do Oceano Atlântico, na dorsal mesoatlântica. Caso isso acontecesse, afetaria tanto o litoral brasileiro quanto o litoral do continente africano. No entanto, não há registros deste tipo de evento, e nem expectativa de que isso aconteça, afirma. Como ocorreu o alarme falso? Segundo o Google, o Sistema de Alertas de Terremotos do Android usa, na maior parte do mundo, os próprios celulares dos usuários para detectar os tremores e enviar os alertas. Já aconteceram alertas legítimos na Baixada Santista e Vale do Ribeira em junho de 2023, quando o Centro de Sismologia da USP registrou um tremor de terra de 4.0 na escala Richter. Mas como esses tremores são detectados? O Google usa acelerômetros, chips que podem detectar vibrações e velocidade, para rastrear os abalos sísmicos. Quando o acelerômetro indica algo que o telefone "acha que pode ser um terremoto", esse telefone envia automaticamente um alerta para o servidor de detecção do empresa, junto a localização aproximada de onde teria ocorrido o terremoto. O servidor conecta informações de vários telefones, que atuam como mini sismógrafos, para descobrir se um terremoto está realmente acontecendo. São dois tipos de alerta: um menos invasivo e o outro para eventos mais extremos. Neste caso, o sistema aciona a tela e emite som alto — foi o que ocorreu na sexta-feira. Agora, com o servidor desligado no Brasil, o Google investiga o que pode ter causado o erro no sistema. Veja a nota do Google na íntegra: O Sistema Android de Alertas de Terremoto é um sistema complementar que usa celulares Android para rapidamente estimar vibrações de terremotos e oferecer alertas para as pessoas. Ele não foi desenhado para substituir nenhum outro sistema de alerta oficial. Em 14 de fevereiro, nosso sistema detectou sinais de celulares em localização próxima ao litoral de São Paulo e disparou um alerta de terremoto aos usuários na região. Nós desativamos prontamente o sistema de alerta no Brasil e estamos investigando o ocorrido. Pedimos desculpas aos nossos usuários pelo inconveniente e seguimos comprometidos em aprimorar nossas ferramentas.