Um dos criadores do Porta dos Fundos, o humorista acaba de deixar o grupo: “Os ciclos se encerram” (Divulgação) Humor precisa ter graça. Parece óbvio, mas em tempos das confusões de redes sociais, às vezes o óbvio – e verdadeiro – precisa ser reafirmado. “Graça no sentido de beleza, capricho, inteligência, perspicácia. A etimologia vem daí”, explica Antonio Tabet, em entrevista exclusiva feita por e-mail. Ele estará em Santos, quinta-feira, às 21h30, no Teatro Municipal Braz Cubas, com o espetáculo Peçanha Protocolo de Segurança. Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! É possível humor sem graça? “Se não tiver graça, é só grosseria. Mas uma grosseria pode ser engraçada se tiver contexto e uma moldura que a justifique”, continua o humorista. De humor com graça Tabet entende: pioneiro na internet, no início dos anos 2000 – quando a própria internet ainda era terreno a se desbravar –, foi criador do então blog Kibe Loco, quando ele trabalhava em uma agência de publicidade. “Sou do tempo quando para publicar humor era preciso estar num grande jornal ou TV. Eu adoraria ter o espaço de um grande colunista. Era impossível naquela época. Então, contei com o espaço do blog para isso. Deu certo”, recorda. “Eu sempre quis trabalhar com humor. Seja na publicidade, seja escrevendo roteiros de esquetes. Atuar foi consequência. O sucesso prova que fiz a escolha certa”, enfatiza. Portas O personagem ‘tenente-coronel, major, sargento’ Peçanha, sucesso nas redes sociais que foi para os palcos, é da época do Kibe Loco, que se somaria ao canal do YouTube Anões em Chamas, onde um embrião de Peçanha nasceria na minissérie satírica CSI: Nova Iguaçu. Outro embrião estava sendo gestado nessa época: o Porta dos Fundos, do qual Tabet anunciou a saída na semana passada. “A vida passa, ciclos se encerram. E, quando isso acontece, diferenças começam a aparecer. Além disso, eu e o Ian (SBF, que também deixou o Porta) já não estávamos mais presentes de corpo ou alma no que o Porta vinha produzindo recentemente. Temos outras projetos mais identificados conosco, como o Porta de antigamente”, escreve, apenas. Patrulha Tabet considera a TV Pirata uma referência. Já o Casseta e Planeta quebrou paradigmas. Mas suas influências mais profundas vêm de fora: os ingleses do Monty Python e os canadenses do The Kids in The Hall. “Para escrever, posso citar Laerte, Angeli, Millôr e Veríssimo”. Há quem diga que o politicamente correto em voga atrapalha o humor. Com essas referências, é fácil deduzir que, para Tabet, é indiferente. “O politicamente correto ajuda o humor. Basta ter inteligência para saber aplicar. O que atrapalha o humor é a burrice. Sobretudo dos que querem patrulhar em nome do politicamente correto. Esses são um desserviço duplo”. Serviço: Peçanha Protocolo de Segurança. Teatro Municipal Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias, Santos). Quinta-feira, 21h30. Ingressos entre R\$ 50,00 e R\$ 120,00, à venda na internet.