De um lado, objetos cotidianos são retirados de seu contexto para provocar estranhamento. Do outro, imagens e pinturas, guiadas por um barbante, passam de um artista a outro e se transformam ao longo do percurso. As propostas estão reunidas em duas exposições na Pinacoteca Benedicto Calixto, em Santos: Um Vislumbre no Real, de Alexandre Frangioni, e A Linha – Nas Artes de Furlani, Rosa, Heck, Ribeiro e Muniz, do grupo Heteronymous. Elas podem ser visitadas gratuitamente nesta quinta-feira (1º) a 8 de novembro. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A vernissage, realizada nesta quarta-feira (30) à noite, reuniu convidados, artistas e integrantes da diretoria no Casarão Branco, que ficou lotado. No encontro, foi possível conhecer as obras e saber mais sobre seus processos de criação. Um vislumbre no Real A mostra Um Vislumbre no Real ocupa o Salão Nobre Roberto Mário Santini e outras duas salas. A exposição parte de imagens, objetos e códigos da cultura e do cotidiano para provocar novas interpretações. O humor também integra a produção de Frangioni. Em algumas obras, ele surge do absurdo, da inadequação ou da associação inesperada entre objetos e situações. Entre as peças estão tijolos de gesso com o brasão do Brasil Imperial, uma réplica de uma olaria de Campinas, um tabuleiro de xadrez, porquinhos com moedas e trabalhos com referências políticas, econômicas e sociais. Frangioni diz que a mostra reúne séries produzidas nos últimos dez anos, que discutem como são criados os valores humanos nas sociedades contemporâneas. Segundo o artista, as obras abordam relações de poder, dinheiro e território. As bandeiras, por exemplo, discutem a influência dos EUA na cultura brasileira e os efeitos da globalização sobre o consumo. Uma delas, intitulada Made in China, faz referência a esse processo. A linha Na Sala Santos e no Espaço Armando Sendim, a mostra A Linha reúne obras dos artistas Claudia Furlani, Duda Rosa, Fernando Ribeiro, Maazo Heck e Nelson Muniz, produzidas com diferentes técnicas e estilos. O projeto tem uma linha de barbante como fio transmissor e surgiu entre 2020 e 2021, durante a pandemia, quando os artistas passaram a manter os encontros virtuais. Cada um recebia uma imagem do anterior, transformava algum elemento e a encaminhava ao próximo. Fernando Ribeiro conta que o trabalho ajudou a manter o grupo unido durante o isolamento e refletiu as angústias daquele período. “A gente não podia sair, não podia se ver, não podia nada. Então, a gente montou a seguinte coisa. Bolamos a linha. Cada um fazia um trabalho e entrava no sistema randômico”. Claudia Furlani explica que um artista fazia um desenho ou pintura e avisava ao outro onde havia terminado a linha. Na semana seguinte, o próximo pegava o trabalho e continuava. Para ela, “é uma brincadeira do grupo, de que a linha vai passeando”. O resultado é formado por 50 imagens, nas quais cada trabalho preserva sua autonomia, mas também carrega marcas do percurso compartilhado. O conjunto se transforma continuamente a cada nova intervenção, criando uma relação entre singularidade e partilha. O curador Carlos Zibel, que assina a curadoria ao lado de Antonio Carlos Cavalcanti Filho, afirma que o desafio foi reunir duas exposições de propostas e materialidades diferentes. Segundo ele, Um Vislumbre no Real parte de imagens do cotidiano para revelar outras possibilidades. Já o grupo Heteronymous reúne cinco artistas com linguagens e técnicas distintas. As mostras integram a 4ª edição do projeto Arte na Pinacoteca, que reúne ações culturais gratuitas, exposições, cursos, oficinas, concertos, canto coral com bolsa incentivo, palestras e visitas guiadas para estudantes da região e outras ações culturais. 40 anos O presidente da Fundação Benedicto Calixto, Roberto Clemente Santini, explica que o mês de setembro marcou os 40 anos da Pinacoteca. “Tivemos uma festa na semana passada e agora lançamos essas duas exposições ao mesmo tempo, bem diferentes”. Ele lembra que essa agenda de celebração continua nesta quinta-feira (1º), com o lançamento do livro A História da Pinacoteca Benedicto Calixto, além da apresentação do relatório de impacto ambiental da instituição. Santini acrescenta ainda que, até o final do ano, haverá outra exposição no Casarão Branco, desta vez com foco na pop art. Serviço As exposições Um Vislumbre no Real, de Alexandre Frangioni, e A Linha – Nas Artes de Furlani, Rosa, Heck, Ribeiro e Muniz, com 50 obras dos artistas Claudia Furlani, Duda Rosa, Fernando Ribeiro, Maazo Heck e Nelson Muniz, podem ser visitadas de hoje a 8 de novembro, na Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto (Avenida Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos). Abre de terça a domingo, das 9h às 18h. Entrada gratuita.