Exibição é dividida em três eixos, representados pela predominância de cores em cada tema: a Floresta, o Divino e o Humano (Alexsander Ferraz/AT) A cor é o fundamento da poesia na tela, a narração que transcende e abre as portas do imaginário. Esse é o mote da mostra Mai-Britt Wolthers e a Cor Protagonista, que entra em cartaz nesta quarta-feira (30) e segue até 25 de maio na Pinacoteca Benedicto Calixto (Av. Bartolomeu de Gusmão, 15, Boqueirão, Santos). Clique aqui para seguir o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com curadoria de Carlos Zibel e Antonio Carlos Cavalcanti Filho, a mostra apresenta uma potente seleção da produção recente da artista dinamarquesa-brasileira, reunindo obras em pintura, escultura, instalação e vídeo. “Pelo fato de ter quatro salas aqui na Pinacoteca, tive a chance de explorar uma cor em cada sala. Na sala principal, por exemplo, são os verdes, que remetem à minha visão das florestas brasileiras”, explica a artista, já explicitando um dos três eixos da mostra: a Floresta. Os outros são o Divino e o Humano. “Sempre tive uma conexão forte com as florestas. Na Dinamarca, eu era escoteira e frequentava florestas de outros tipos. Essa questão sempre foi muito latente”, conta. “Com o tempo, cor e composição foram ganhando importância. Hoje, independentemente dos temas, o que me move é a composição das cores.” E assim chegamos aos outros eixos da mostra: no Divino, predominam as cores branca e azul; na dimensão humana, um olhar à mulher, ao início da vida, o fruto, representados nos tons rosa. Ontem, um coquetel para convidados marcou a abertura da mostra. A também artista plástica Sara Bittante prestigiou o evento. “Ela (Mai-Britt) sintetiza sentimentos, se expressa divinamente. Gosto de toda a obra dela.” A artista nasceu na Dinamarca, mas desde 1990 mora em Santos (Alexsander Ferraz/AT) A cor é a arte A cor no trabalho de Mai-Britt promove um embate simbólico entre manchas abstratas e seres figurativos. “Cada olhar reinicia a imagem, criando novas cenas – conceito que ganha força nas grandes telas em acrílica e pastel oleoso e nas esculturas com elementos naturais, como gravetos e vagens, inseridos em resina ou cimento”, enfatiza Cavalcanti Filho. A exposição também convida à reflexão sobre o papel do objeto na arte contemporânea. Mai-Britt transforma seus trabalhos em dispositivos de pensamento, nos quais a materialidade dos elementos convive com a imaterialidade das ideias. “Mai-Britt nos convida a uma imersão onde a cor não apenas preenche o espaço, mas conduz o pensamento. É uma exposição que dialoga com o sensível, o simbólico e o contemporâneo”, destaca Zibel. Mai-Britt Wolthers veio ao Brasil aos 24 anos, chegando ao Rio de Janeiro, para na década de 1990 se fixar na Baixada Santista. Seus estudos tiveram início em Santos, também nos anos 90, em cursos livres. Hoje, sua trajetória artística já a levou pelo mundo, seja com exposições ou residências artísticas em Copenhague, capital de sua terra natal, São Paulo e Nova Iorque. Arte na Pinacoteca A exposição é mais uma a integrar o projeto Arte na Pinacoteca, que está em sua terceira edição. “A gente está procurando sempre abrir para várias tendências, fotografia, arte moderna, arte clássica, escultura, diversificar ao máximo e trazer várias experiências para as pessoas que vêm à Pinacoteca. E é gratuito”, diz o presidente da Fundação Pinacoteca Benedicto Calixto, Roberto Clemente Santini. A exposição Mai-Britt Wolthers e a Cor Protagonista pode ser apreciada de terça a domingo, das 9 às 18 horas.