A relação do café brasileiro com a cultura milenar chinesa é o centro da mostra Ouro Negro & O Dragão, da artista plástica Camila Arruda, no Museu do Café (Rua XV de Novembro, 95, Centro, Santos), cuja abertura ao público é sexta-feira (24). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! São 15 obras da artista expressando o despertar para o consumo do café na China. A mostra nasce de um convite do Museu para celebrar o Ano da Cultura e do Turismo entre Brasil e China em 2026. “Há quem sequer saiba que os chineses consomem o grão. O objetivo é expandir a visão do visitante sobre quem é a China hoje”, afirma a artista. A mostra contextualiza a metamorfose histórica do país. Se antes a China era a ‘fábrica do mundo’, hoje busca ser a vanguarda da criação. “A China não quer mais apenas fabricar o que o mundo cria; ela quer criar o que o mundo consome”, observa a artista. Um dos pontos centrais da investigação é o contraste social da bebida. Nas metrópoles chinesas, o café tornou-se um código visual de prestígio, impulsionado por uma geração que estudou no Ocidente e trouxe o hábito na bagagem. O grão brasileiro desembarca na China como símbolo do ‘Sonho Chinês’ – uma mistura de modernidade e transformação pessoal. “O copinho de café é o novo símbolo do jovem chinês globalizado”, analisa Camila. A mostra As 15 obras, divididas em escultura, pintura, instalação e vídeos com entrevistas), estão organizadas em três núcleos. O primeiro, Espiral, introduz a cosmologia e o pensamento chineses, passando por Confúcio, Mêncio e pelos conceitos de Dao (O caminho) e Yin-Yang; o segundo núcleo chama-se O Café como Símbolo, ou seja, deixa de ser um insumo agrícola e se torna um ícone de status na China; o terceiro núcleo é A Projeção do Futuro, que apresenta a metamorfose da China, que se transformou em protagonista da inovação, e de como o café está inserido nesse contexto.