Murilo Lima foi vocalista da banda Capital Inicial entre 1993 e 1998 (Divulgação) Uma história digna dos contos de fada – ou de herói – estará nesta quinta-feira (28), às 20 horas, no palco do Cine Roxy (Av. Ana Costa, 443, Gonzaga, Santos), no show Murilo Lima – 30 anos de Rua 47 & Ao Vivo 1996. No espetáculo, o cantor e compositor santista revive os cinco anos em que foi vocalista da banda Capital Inicial, entre 1993 e 1998. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Até hoje, eu continuo tendo reflexos de tudo o que ocorreu. Eu sou um ex-vocalista do Capital Inicial, a quem quer explorar isso. Mas, para mim, o mais importante foi a evolução artística a partir dali”. No show, Murilo apresenta canções dos dois álbuns realizados com o Capital: o Rua 47 e Ao Vivo 1996, acrescido de algumas canções posteriores, de seu trabalho solo ou com a banda Broderia. Mas esse show talvez não fosse possível se Murilo não estivesse em São Paulo, em 1986. Estudo e música Nascido e criado em Santos, Murilo foi para a Capital estudar (é formado em Direito). Mas a aptidão musical começou a aflorar. “Comecei a tocar profissionalmente em 1987. Em 1988, ingressei na banda Rúcula, que gravou um álbum em 1990”. O álbum foi produzido por Bozzo Barretti, então tecladista do Capital Inicial. A Rúcula acabou convidada para abrir shows de Dinho Ouro Preto e companhia. Corta para 1993. Depois de rusgas, Dinho e Fê Lemos (bateria), Flávio Lemos (baixo) e Loro Jones (guitarra) resolveram se separar. O Capital estava sem vocalista. A vida tratou de ligar os pontos. Era o início da era dos telefones celulares. Murilo se recorda de estar no metrô quando o seu aparelho tocou. “Era o Pipo (empresário, que trabalhou com Capital, Legião Urbana e, depois, com Charlie Brown Jr.). Ele perguntou: ‘o que você tem feito de música?”. Murilo contou que o Rúcula estava meio parado, e ele, em música, andava ‘correndo atrás’. Então Pipo soltou: “Você gostaria de participar do ensaio do Capital Inicial?”. “Gelei: é isso mesmo?”. Era. No dia seguinte, lá estava ele para um teste, em que cantaria algumas músicas e todos saberiam se funcionaria. “Não sei como, mas eu tinha certeza de que chegaria lá, cantaria e iria me entrosar”. Dito e feito. Era março de 1993. Ficou acertado que Murilo ensaiaria o repertório do novo álbum, Rua 47, e sairia em turnê em setembro. Enquanto isso, o Capital, ainda com Dinho, completaria os shows da turnê do álbum anterior, Eletricidade. De sopetão Mas o processo seria acelerado. Outro desacordo, vocalista e banda romperam de vez. Certa noite, Murilo estava em Santos, tocando em um bar. “De repente, vejo minha mãe, que nunca ia na noite, entrando no bar. Pensei: ‘vixe, aconteceu alguma coisa”, recorda. “Ela chegou perto e me disse: ‘os meninos de São Paulo ligaram, querem falar com você agora’”. Os ‘meninos de São Paulo’ eram o Capital. Em um intervalo da apresentação, Murilo ligou. Era para subir a Serra imediatamente: no dia seguinte, fariam show em Itabira, Minas Gerais. Murilo pegou o microfone e anunciou em primeira mão a boa nova. Após ser ovacionado, um comboio de amigos o levou a São Paulo para estrear, oficialmente, como vocalista do Capital Inicial. Assim começou a aventura que levou Murilo a dividir o palco com artistas que admirava, como Ira!, Lobão, Ultraje a Rigor, Renato Russo. “O Capital foi uma catapulta para o que sou agora. Independente de sucesso, de onde estou, onde vou parar, tudo começou ali, a parte importante de uma evolução que eu colho até hoje”. Os ingressos para o show custam R\$ 45,00 e estão à venda no site.