Quarta-feira (30) é o último dia para conferir a exposição no Museu da Imagem e do Som de Santos (Biga Appes/Divulgação) O Tempo em Mim. O nome da exposição da fotógrafa Biga Appes, em cartaz no Museu da Imagem e do Som de Santos (Miss, Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias) até quarta-feira (30), é sua própria expressão: sim, o tempo nos embala e exposição é um apanhado dos 35 anos de trabalho por trás das lentes. “A fotografia me ensinou que a beleza tem várias formas. Eu brinco que saio pra catar gente porque é uma amizade que acontece ali. E quando elas se sentem à vontade com a minha câmera, a sessão de fotos se transforma em uma troca, é como um abraço”, resume Biga, já deixando entrever seu olhar afetuoso em relação às pessoas que registra, especialmente mulheres e crianças, bem como territórios e as forças da natureza. Biga se especializou em registrar as pessoas em seus ambientes, bem como territórios e a natureza (Biga Appes/Divulgação) Mergulho no mar Nesse sentido, a fotógrafa vê o momento do clique como algo misterioso. “Quando aciono o disparador da máquina, aquele milésimo de segundo me dá a sensação de um mergulho no mar e a volta para a superfície com alguma descoberta. É fascinante quando aquilo que você imaginou se concretiza em uma imagem fotográfica”. O início de seu trabalho no jornalismo foi fundamental para que ela apurasse melhor o olhar. “Na imprensa, comecei com filmes em preto e branco, que depois eram revelados em laboratório. Saía com duas ou três pautas com um filme de 36 poses. Tinha que pensar muito cada ângulo, cada movimento, o melhor cenário. Mesmo com a minha transição para as máquinas digitais, esse olhar mais criterioso permaneceu”. (Divulgação) O início e o meio: sem fim à vista Biga Appes começou a carreira como repórter-fotográfica em 1990, tendo fotos publicadas em vários jornais do Brasil à época. Como fotógrafa contratada pela Casa de Cultura da Mulher Negra, realizou a cobertura da vinda de Nelson Mandela ao Brasil. Produziu fotos para material promocional de dezenas de artistas plásticos, grupos de teatro, bandas de música, companhias de dança e produtores de vídeo, entre elas a capa do CD Audácia, da rapper Preta Rara. O seu ensaio fotográfico Flores Loucas, sobre pacientes psiquiátricas da periferia de São Vicente, foi exibido em 1998 no Encontro Internacional de Mulheres, realizado em Cuba. Em 1999, foi a única representante da América do Sul selecionada para a II Mostra Internacional de Fotografia Humanitária Luis Valtueña, com uma foto sobre catadores do lixão de São Vicente. Nos últimos anos, voltou-se principalmente para a documentação fotográfica de produções audiovisuais, tais como o processo de filmagem da websérie Nossa Voz Ecoa, apresentado pela cantora Preta Rara. Suas fotos com personagens negros foram mapeadas em projeções no espetáculo Ida, do grupo de teatro Coletivo Negro, da Capital, que circulou pelo Estado. Social Questões sociais ou culturais são marcantes em suas imagens. Ao longo dos anos, registrou atividades do Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua e da ONG espanhola Médicos del Mundo, com adolescentes em situação de vulnerabilidade, bem como documentou intervenções do projeto Guerreiros sem Armas em comunidades carentes. Mais em cartaz Outra exposição está em cartaz em Santos, também até esta quarta-feira (30). Confira: A Carne de Gaia Com temáticas que englobam território, mineração na Amazônia e povos indígenas, a exposição da artista Beá Meira conta com trabalhos que abrangem diversas técnicas – desde pintura e gravura até tecelagem. Além disso, o público poderá apreciar duas obras de três mulheres indígenas – Claudia Baré, Larissa Ye’pa Tukano e Rayane Barbosa Kaingang. Na Galeria de Arte Braz Cubas (Av. Pinheiro Machado, 48, Vila Mathias). Das 13 às 18 horas.