Amigos e parceiros há muito tempo, Michel e João Marcello estreiam show com recordações da música (Alexsander Ferraz/AT) O tom é o da descontração, ao ritmo da memória. Dessa ‘partitura’ é composto o espetáculo Papo de Música, que reúne o empresário e produtor João Marcello Bôscoli e o pianista, compositor e arranjador Michel Freidenson, neste sábado (17), às 21h20, no Rooftop Bar & Restaurante (Rua Riachuelo, 3, Centro, Santos). “Vai ser um bate-papo ilustrado (por música). Tem uns tópicos para seguir, mas nada organizado. Serão as histórias que a música proporciona”, diz Michel. História não falta a ambos: João Marcello é filho de Elis Regina e fundador da gravadora Trama, por exemplo. Michel integrou o quinteto Zonazul, de música instrumental, nos anos 80; hoje tem seu trio, e já trabalhou, entre outros, com Jane Duboc, Lô Borges, Fafá de Belém e Tim Maia. “Com ele tem uma história espetacular”, recorda. Certo dia, Michel promovia um churrasco em sua casa quando o telefone tocou. “Era para ir ao Olympia (antiga casa paulistana) tocar em um show do Tim Maia, porque o tecladista dele não podia comparecer”. Michel até pensou em “dar uma de Tim Maia” e não ir ao show. Mas os amigos no churrasco insistiram: “Tá maluco? É o Tim Maia”. Ele foi. “Subi no palco, montei o teclado, reparei em um monte de cabos e fios diferentes. Perguntei o que era aquilo”. ‘Aquilo’ era para a gravação de um álbum ao vivo, naquele show. Michel foi a dois músicos da banda Vitória Régia, do Tim Maia, conhecidos seus, e perguntou se havia alguma partitura, uma lista de músicas, ao menos. “Não. Liga o radar e vai embora’, eles responderam. A sorte é que eu conhecia o repertório por ser fã”. Depois do show, Tim Maia chamou Michel no camarim. Intimou: “Você vai tocar na banda”. Michel devolveu: “Não vou”. “Por que?”. “Porque eu gosto demais de você, mas você briga com as pessoas, e eu não quero brigar com você”. Tim Maia jurou: “Prometo não brigar com você”. Michel acabou tocando quase dois anos na Vitória Régia. Em tempo: o álbum Tim Maia Ao Vivo, de 1992, vendeu 1 milhão de cópias. Trabalho próprio e emoção Michel tem uma carreira de mais de 40 anos. Parcerias com Jane Duboc e Hermeto Paschoal. Transita pelo mercado publicitário e compõe trilhas sonoras. Assina trabalhos com músicas próprias. Tudo isso estará no bate-papo neste sábado (17). Seja em histórias engraçadas ou naquelas mais emocionantes. Em uma delas, o tempo fez um arco e ele reencontrou o menino que foi aos 12 anos. Numa noite, no final de um show em uma casa noturna em São Paulo, às 3 horas, resolveu tocar a canção Focus V, do grupo de rock progressivo holandês Focus. “Geralmente, não toco essa música porque me emociona demais. Eu ouvi aos 12 anos, chorei muito. Virou trilha sonora da minha vida em momentos-chave. Mas essa noite estava tão especial, toquei”. Quando começou os primeiros acordes, percebeu no fundo da casa a movimentação de um grupo chegando. “Um deles, ao ouvir, veio direto para o piano, me abraçou e começou a chorar”, recorda. Era Thijs van Leer, tecladista, flautista, vocalista e um dos fundadores do Focus. O grupo acabara de fazer um show em São Paulo. Desse encontro, nasceu a participação do holandês em faixas do álbum solo de Michel, Notas no Ar, de 2011. “Cinco minutos a mais ou a menos, o encontro não teria ocorrido... o que prova que tem um grande maestro lá em cima”. Os ingressos para Papo de Música custam entre R\$ 200,00 e R\$ 2 mil e estão à venda em www.bilheteriaexpress.com.br.