Velho, Eu? A surpresa virou livro. A pergunta é o título e envelhecer tem muitas camadas: o importante é falar sobre o assunto. É exatamente isso o que faz a jornalista e escritora Ivani Cardoso – do alto de seus 73 anos – na obra que será lançada nesta segunda-feira (4), às 18h30, no Bar Heinz (Rua Lincoln Feliciano, 104, Boqueirão, Santos). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “A partir do título, que é uma provocação (ninguém gosta de dizer que está velho), há muito o que falar. É uma palavra que passa a ideia de coisa antiga, sem brilho, desatualizada. E há velhices de todos os tipos”, esclarece Ivani. Há tantos tipos de velhice quanto adjetivos no dicionário. Mas, segundo Ivani, nem sempre os melhores adjetivos são vinculados ao envelhecer. Ajudar a virar bem essa página da vida é um dos objetivos do livro. “Você pode ser um velho atualizado, vibrante, otimista, ativo profissionalmente e que ainda continue buscando os sonhos”. Nesse sentido, há crônicas na obra em que Ivani dá dicas de livros ou de filmes. “A arte e a cultura aliviam o peso do envelhecer”, crê. Dá trabalho não ser chato Mas é inevitável: psicológica e fisicamente o processo de envelhecer impõe desafios. A força afirmativa, impetuosa, da juventude costuma dar lugar ao será?, ao talvez. Enfim, envelhecer custa. “Dá trabalho envelhecer e se cuidar, mudar hábitos, procurar uma vida mais saudável, manter os relacionamentos e os projetos. Dá trabalho não ser um velho chato que afasta as pessoas. Dá trabalho continuar aprendendo, mas ficar paralisado nunca será a melhor solução”. Como diz Ivani, vida é movimento – em qualquer idade e sentido. Por isso, o livro aborda preconceito, namoro, sedução, espiritualidade e a importância do velho, mas jamais fora de moda, bom-humor, para uma velhice saudável. Preparação O título do livro impõe outra pergunta: se há essa surpresa, e até negação, com o avanço da idade, estaremos preparados para envelhecer? Nesse aspecto, uma questão prática também se impõe: dinheiro. “Fator essencial para se preparar é a questão financeira. Terrível chegar à velhice e contar com uma aposentadoria mínima, depender dos outros, morar de favor com filhos ou com familiares. É triste ver as dificuldades de tantos velhos para pagar remédios, plano de saúde, ignorar pequenos prazeres do dia a dia”. No mais, apesar das dores que surgem com mais intensidade a partir dos 60 anos, dos remédios, dos tratamentos, das fisioterapias, envelhecer é divino. “Pode ser um tempo de descobertas, de resgatar sonhos (eu voltei a jogar tênis de mesa, que adorava quando era adolescente), de buscar novas amizades, de se permitir ser você mesmo sem dar satisfação para ninguém. Viver a sua velhice”. Serviço: Velho, Eu? (Editora Reformatório), lançamento hoje, 18h30, no Bar Heinz, Rua Lincoln Feliciano, 104, Boqueirão, Santos. R\$ 58,00, no site da editora. Trechos “Vocês já perceberam que nos contos de fadas as princesas são sempre jovens, bondosas e bonitas, enquanto as bruxas são velhas, feias e más? Parece inofensivo, mas é um estereótipo que pode influenciar crianças para toda vida” “Eu nunca fui chegada na arte da culinária (...) Hoje faço, segundo minhas netas, o melhor brigadeiro do mundo (...) Que elas se lembrem deles, como eu trago comigo o omelete de aveia dourado da minha avó”. “Espiritualidade não se limita à religião e nem é encontrada apenas na natureza, nos livros ou nos sentimentos. Para mim, espiritualidade é uma busca contínua. É algo que conforta, sustenta e oferece alguma esperança para reger nossas vidas, principalmente em momentos difíceis. E respeito quem diz que não crê em nada, é uma escolha”.