Desde 2005, Dedé Paraizo também integra o histórico grupo paulistano de samba Demônios da Garoa (Reprodução/ Instagram) Samba também se aprende em casa. Sem saber, nas rodas de sábado e domingo com os pais e os 21 irmãos, Wilder Benedito Paraizo já estava forjando Dedé Paraizo. “A gente montou um conjuntinho de samba pra brincar aos finais de semana. Minha inspiração veio da família”. O instrumentista, e sobretudo compositor, estará nesta quarta-feira (28), às 21 horas, no Clube do Choro de Santos (Rua XV de Novembro, 68, Centro) abrindo o seu Baú de Canções – o mais recente trabalho. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! E haja canção nesse baú. De Zeca Pagodinho a Alcione, de Almir Guineto ao Fundo de Quintal, Dedé calcula mais de 200 gravadas por grandes nomes não só, mas sobretudo, do samba. Aos 68 anos, ele ainda é membro, há 20 anos, do lendário Os Demônios da Garoa. Adivinhe como ele foi parar no grupo? Sim, pelo caminho das suas composições. “O Demônios gravou duas músicas minhas no disco Hoje (1995). Fiz amizade com eles e em 2005 me convidaram para entrar no conjunto”. Bateu asas Mas até chegar lá, é preciso ainda voltar a Belo Horizonte, onde nasceu e cresceu. Com o pai, aos sete anos, aprendeu o violão. A mãe cantava. Na escola, no primário, a própria diretora disse: “você escreve bem, tem veia artística”. Assim, entre canções de Roberto Ribeiro, João Nogueira e Agepê, nas rodas de samba do final de semana, foi crescendo e escrevendo suas redações elogiadas. “Fui tomando gosto por tudo isso”. Um belo dia, pôs tudo isso na mala e partiu para São Paulo com o sonho da música. “Tive sorte. Conheci muita gente boa”. Um desses ‘gente boa’ foi ninguém menos do que o compositor baiano Edson Conceição, que já assinava, com Aloísio Silva, o clássico Não Deixe o Samba Morrer, imortalizado por Alcione em 1975. Juntos, Edson e Dedé compuseram, por exemplo, Brisa, gravada por Jair Rodrigues no álbum Alegria de um Povo, em 1981. “Dez músicas que nós fizemos foram gravadas”, enfatiza. “Ele morreu muito cedo”. Edson Conceição morreu em 1984, aos 48 anos, vítima de câncer. Sonho com anjos Das tantas canções compostas, é inevitável que algumas sejam mais especiais do que outras. Uma delas é Sá Janaína, em parceria com Luverci e Almir Guineto, a primeira canção sua que foi gravada, ainda em 1981, pelo grupo Fundo de Quintal. Já Coral dos Anjos, gravada pelo Sensação, em 1994, foi um dos maiores sucessos comerciais de sua carreira de compositor e tem uma história inusitada. “Ela nasceu de um sonho”. Literalmente. Certa noite, ele sonhou com um coral de anjos. Dedé acordou extasiado. Voltou a dormir e, de novo, o mesmo sonho. Na terceira vez, não dormiu mais: pegou o violão e o gravador. “Registrei o que estava vendo no sonho, um coro de anjos cantando na minha cabeça”. Nessa época, Dedé estava envolvido com o Carnaval paulistano e conheceu Carica, do grupo Sensação. “Ele chegou pra mim, ‘Dedé, estamos gravando um disco, você não tem alguma coisa diferente pra gente?’. Dentre elas, mostrei Coral dos Anjos”. Carica adorou. A gravadora, porém, torceu o nariz. O Sensação insistiu, gravou e causou... sensação. “A música ‘viralizou’, e nem tinha internet. Tocou em todo lugar”, recorda. “Atualmente, é minha música mais regravada: Péricles, Thiaguinho, todo mundo regravou”. É tudo Apesar da família musical e sambista – naqueles finais de semana, nas rodas de brincadeira, tocavam João Nogueira, Agepê, Roberto Ribeiro, “o que estava fazendo sucesso na época” –, Dedé é o único entre seus irmãos que construiu a vida na música. Casado há 40 anos, tem uma filha, Fernanda, que é jornalista. “Ela canta muito bem. Mas fez a escolha dela”. Na voz, uma pontadinha de quem, talvez, ficasse feliz em ver a filha nos palcos. Mas como ele diz, ela fez a escolha dela. E no seu próprio caso? A quem nasceu em um berço de samba, talvez Dedé não tenha tido escolha. “Sem música, eu não conseguiria viver. É minha profissão, meu hobby, minha alegria. É tudo”. O show Dedé Paraizo apresenta o show Baú de Canções, inspirado no projeto Meu Baú de Canções, em que regrava suas próprias composições em novas roupagens e com participações pra lá de especiais, como Maria Rita, Luciana Mello, Toninho Geraes e Jorge Aragão. “Também vou fazer uma homenagem ao Benito di Paula. Tanto pela história que ele tem em Santos, como por ter sido uma grande influência pra mim”, avisa Dedé. Os ingressos para o show de Dedé Paraizo no Clube do Choro custam R\$ 50,00 e estão à venda pelo WhatsApp (13) 99708-2282.